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Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso romance Capítulo 181

Emeriel não conseguia se forçar a encontrar o olhar dele. Ela encarava suas mãos como se elas detivessem todas as respostas para acalmar novamente a tempestade violenta ao seu redor. Pegando a colher, ela se obrigou a dar uma pequena mordida na comida.

No momento em que a comida quente tocou sua língua, seu estômago rosnou faminto, lembrando-a de quanto tempo havia passado desde a última vez que comeu. Então, ela comeu. Devagar no início, mas depois a fome tomou conta.

Emeriel devorou a refeição como se fosse a última. Ela mal percebeu o Lorde Vladya a observando até que a última migalha desapareceu. Então, a realidade voltou a se impor.

-Você está aqui para me punir também?- ela perguntou, derrotada.

O olhar de Lorde Vladya permaneceu firme. -Por quê?

Ela deu de ombros, suas mãos caindo em seu colo enquanto ela olhava para longe. -Você me deu instruções para evitá-lo, para nunca ser descoberta.

-Também te disse que o destino é uma vadia que sabe como mexer com as pessoas apenas para dar uma boa risada. Você nunca venceria contra esse vínculo.- Lorde Vladya inclinou levemente a cabeça. -Francamente, estou surpreso que você tenha conseguido manter o segredo por tanto tempo.

-Não importa mais.- Emeriel olhou para suas mãos trêmulas, lutando para conter as lágrimas. -Posso perguntar... Aekeira está bem? Não a vejo há dias.

-Ela está bem.- O tom de Lorde Vladya suavizou.

O silêncio se instalou entre eles, denso e pesado.

-Você não vai perguntar como estão as coisas lá fora?- Lorde Vladya disse, seus olhos se estreitando. -Você não tem perguntas?

-Tenho. Tenho muitas, mas...- Ela lançou um olhar fugaz para ele. -Não estava certa de que você responderia.

Lorde Vladya recostou-se em sua cadeira, cruzando as pernas. -Pergunte.

-Como está... tudo lá fora?

Ele permaneceu em silêncio por tanto tempo que Emeriel começou a se perguntar se ele responderia.

-Poderia ter sido pior,- ele disse por fim. -Para alguém tão pequena, você causou um grande alvoroço.

Emeriel desviou o olhar.

Estamos fazendo um controle de danos, mas tem sido uma série de longas e exaustivas deliberações. O conselho está em tumulto, mas mais preocupantes são as pessoas. Elas são o problema mais delicado que enfrentamos.

Seu coração afundou. -As pessoas?

-Elas estão exigindo que Daemonikai entregue sua cabeça em um prato de prata,- afirmou Lorde Vladya com toda a seriedade.

A palavra afundou e se instalou, como um corpo morto amarrado a uma pedra pesada e jogado no rio. O prato à sua frente borrou.

Alguns ameaçaram iniciar um massacre se Daemonikai aceitar um humano como companheiro. As petições são incessantes. Estamos tentando gerenciar o caos da melhor forma possível, mas tem sido... desafiador.

-E... Lorde Herod?- A voz de Emeriel mal passava de um sussurro.

-Você quer dizer seu noivo?

Agora, o silêncio ensurdecedor era tão denso que podia ser sentido. Emeriel não tinha mais energia para se defender, nem forças para explicar ou implorar seu caso. O cansaço pesava sobre ela como um manto pesado. Ela estava além do ponto de se importar com os mal-entendidos. No passado, ela teria implorado por razão, mas agora estava simplesmente cansada demais para lutar. Tão, tão cansada.

Emeriel assentiu distraída. Ela não tinha dormido com Lorde Herod. Isso ela podia dizer sem culpa. Mas a ideia de enfrentar o Rei Daemonikai, de explicar qualquer coisa para ele, a enchia de pavor.

Ficou quieto novamente, constrangedor e desconfortável. Emeriel podia sentir a presença poderosa do grande lorde. Ela não sabia como agir, o que dizer. Sentia-se tão pequena, tão perdida.

Ela fez de tudo para não desmoronar na frente de Lorde Vladya. Mantenha-se forte, Emeriel, apenas um pouco mais.

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