Ao anoitecer, Daemonikai desabou contra o batente da porta, a frustração fervendo sob sua pele, sua energia esgotada.
Passando o dia inteiro na residência de Vladya, ele observou muito. O Feral era como uma doença de ação lenta, geralmente levando de dez a quinze anos para se manifestar completamente após os primeiros sintomas aparecerem. Mas o caso de Vladya era diferente, porque ele não estava lutando contra o seu.
Passaram menos de dois anos desde que os sinais começaram, e a aflição já havia progredido a uma velocidade mais rápida do que uma pessoa em seu oitavo ano de batalha contra a loucura.
Os olhares vazios, a mudança incontrolável de homem para besta, a fome insaciável, e assim por diante. A loucura de Vladya estava se aproximando... com uma velocidade aterrorizante.
Embora tenham permanecido dentro de casa o dia todo, tentaram manter uma aparência de normalidade. Trabalhando juntos no estudo de Vladya, jogando cartas, até mesmo compartilhando refeições.
Wegai mantinha o grande rei informado, trazendo constantes atualizações, mas para Daemonikai, o mundo fora desta residência era irrelevante.
Sua prioridade era a sanidade de Vladya.
Tudo o que importava era Vladya.
O pior de tudo era ver Vladya lutando contra seus instintos. Duas vezes hoje, Daemonikai havia observado enquanto uma selvageria tomava conta das características de seu amigo. Rosnando e andando de um lado para o outro como uma besta enjaulada. Corpo tenso de tensão. Lutando. Resistindo.
Como agora, ele estava fazendo de novo. Punho cerrado enquanto ele pisava de um lado para o outro.
Cada vez que Daemonikai exigia saber exatamente contra o que Vladya estava resistindo tão fortemente, ele era recebido com um olhar desafiador e uma determinação teimosa na mandíbula de Vladya.
Daemonikai entendia a teimosia. Isso, controle de ferro e pura força de vontade eram traços que ele e Vladya compartilhavam. Ele deveria deixar para lá, mas a curiosidade não o deixava.
O que era que Vladya resistia tão ferozmente, e por que ele parecia tão completamente faminto cada vez que lutava de volta?
Quando comiam, Daemonikai havia pedido comida extra, presumindo que a fome poderia ser o problema. Não era.
A fome selvagem nos olhos de Vladya permanecia.
Afastando-se da porta, Daemonikai atravessou a sala e se acomodou na cadeira, apoiando as botas na borda da mesa, cruzando-as casualmente nos tornozelos.
-Se você bebeu de Merilyn apenas alguns dias atrás, eu presumo que a sede de sangue não é o problema,- Daemonikai pensou em voz alta, seu olhar seguindo Vladya enquanto ele percorria o estudo. -Então... sede de sexo, então.
Vladya lhe lançou um olhar, bufando com irritação. Seu nariz e bochecha estavam machucados e ligeiramente inchados dos golpes de Daemonikai, mas não parecia que o homem sentia a dor, andando inquieto.
De alguma forma, o olhar selvagem nos olhos de Vladya se intensificou. Como se ele realmente estivesse tendo dificuldade em resistir.
Daemonikai estava cansado disso.
Suspirando, ele desfez o cruzamento dos tornozelos e se endireitou. -Quantas mulheres você quer? Duas? Dez?
-Não estou lutando contra a sede de sexo,- grunhiu Vladya.
-E eu nasci hoje. Apenas um jovem fresco mamando no seio de minha mãe,- Daemonikai retrucou com seriedade.
Vladya inspirou profundamente, ignorando-o.
-Devo chamar as criadas?- Daemonikai insistiu. -Entrar em contato com o bordel? Uma amante?
Vladya parou em suas trilhas, os punhos cerrados. Um músculo em sua mandíbula tremeu, seu controle visivelmente se desgastando nas bordas. -Não é tão simples.
-É de onde estou.
O olhar de Vladya caiu para o chão. -Eu quero machucá-la,- ele finalmente admitiu, sua voz tão baixa. Envergonhada. -Eu quero me descontrolar com ela.
As sobrancelhas de Daemonikai se ergueram em surpresa. Ele cruzou os braços, intrigado. -Então, estou certo. Há uma mulher. Quem é ela? Uma dama, talvez? Ela está ligada? É por isso que você está envergonhado? Porque eu a trarei aqui, ligada ou não.
-Ela não está ligada—espere. Você me traria a companheira de alguém?- A cabeça de Vladya se ergueu, a voz incrédula. -Você perdeu a cabeça?
-Se é isso que você quer, sim,- Daemonikai disse sem hesitação. Seu olhar era firme, resoluto. -Eu trarei a Oráculo ela mesma se for preciso. Não me importo com as consequências ou apropriado agora. Então, pare de enrolar e me diga a verdade.
Vladya balançou a cabeça, um sorriso irônico puxando seus lábios. -Você esconde tão bem atrás de sua aparência de rei justo, mas às vezes eu esqueço o quão moralmente distorcido você realmente é, Daemonikai Vipertheriov Naelzharoth.
Daemonikai o esperou, suas sobrancelhas se erguendo significativamente.
-Está bem,- Vladya exalou bruscamente. -Você se lembra daquela noite na floresta, eu te contei sobre uma garota de quem me alimentei?

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esse príncipe é uma menina: a escrava cativa do rei vicioso
Oi está dando ero com o capítulo 132...
Ruim, vc abre o capítulo depois não consegue ler novamente...