Após 24 horas no hospital, Sara e o filho receberam alta.
Segurando o bebê nos braços, ainda com certo cuidado e um pouco de insegurança, ela caminhou pelo corredor ao lado de Renato, que não escondia o orgulho no olhar. Ele carregava as bolsas, mas, de tempos em tempos, desviava a atenção apenas para olhar o pequeno, como se ainda não acreditasse que aquilo era real.
— Vamos com calma — disse ele, atento a cada passo que ela dava.
— Eu estou bem, Renato — respondeu, com um leve sorriso, embora soubesse que ele não iria parar de se preocupar tão cedo.
E, para ser sincera, aquilo a deixava cada vez mais segura.
Depois que tudo se resolveu, Renato fez questão de ficar ali, dispensando Odete e passando a madrugada inteira com ela no hospital. Não havia pregado o olho — a cada movimento do bebê, se levantava para ver o que era. Foi naquela noite que Sara enxergou, com clareza, o pai que ele seria. Sem jeito, mas presente: trocou todas as fraldas, e toda vez que ela terminava de amamentar, era ele quem pegava o filho para arrotar, deixando-a descansar.
— Está confortável? Não tem nada te machucando? — perguntou Renato, conferindo pela terceira vez o cinto de segurança dela no carro.
Antes de responder, ela o observou por um instante com orgulho.
— Estou bem, não se preocupe.
Ele assentiu, mas ainda demorou alguns segundos ali, ajustando um detalhe aqui, outro ali, como se qualquer coisa fora do lugar pudesse representar um risco.
Só depois disso é que entrou no carro.
O trajeto até o apartamento foi lento, já que ele estava com receio de que qualquer movimento brusco com o carro pudesse machucar Sara ou o filho que estava dormindo no bebê-conforto.
Ao chegarem, Odete já os esperava na porta, com os olhos marejados.
— Que bom que já estão em casa — disse, emocionada, assim que Sara entrou com o filho.
— Não imagina o quanto estamos felizes com isso.
Sara respondeu ao entrar no apartamento.
Ela se acomodou no sofá enquanto Renato pegava o filho e o levava para o quarto.
Ao colocá-lo no berço, permaneceu ali por alguns instantes, observando cada detalhe com orgulho. O peito parecia leve, preenchido por algo que ele já nem lembrava mais como era sentir. Naquele momento, Renato se via como o homem mais feliz e realizado do mundo. Com o filho e Sara ali perto, parecia que tudo finalmente estava no lugar. E, pela primeira vez em muito tempo, seu coração encontrou uma paz verdadeira, daquelas que não precisavam de explicação.
Quando finalmente desviou o olhar do filho, que parecia um pequeno anjo dormindo no berço, voltou para a sala e encontrou Sara conversando com Odete, contando com detalhes como havia sido a rotina com o bebê no hospital. Ele parou por um instante, apenas observando, sem querer interromper aquele momento, mas ao mesmo tempo, estava preocupado com o cansaço dela. Sabia que, por mais que estivesse feliz, o corpo ainda precisava de descanso.
Aproximando-se devagar, tocou de leve no ombro dela.
— Você precisa descansar um pouco — disse, com cuidado. — Depois você conta o resto.
Mais uma vez, Sara percebeu o cuidado no olhar dele, aquele mesmo cuidado que, lentamente, vinha derrubando qualquer barreira que ainda existia entre os dois.
Ela assentiu, mais tranquila.
— Tudo bem.
Virou o rosto para Odete e notou o quanto a mulher parecia feliz ao vê-los assim, mais próximos, mais leves, como se finalmente estivessem no caminho certo. Aquilo a fez sorrir de leve, quase sem perceber.
— Você acabou de ter um bebê — respondeu, se aproximando um pouco mais, sem tirar o cuidado no tom. — E, para mim, nunca esteve tão bonita.
Surpresa, ela ergueu os olhos.
— Não fala isso só para me agradar.
Ele negou com a cabeça.
— Eu não preciso mentir para você, Sara.
Houve um pequeno silêncio antes de ele continuar:
— Cada marca, cada detalhe… só me lembra do que você fez e de tudo o que enfrentou para ter o nosso filho.
Seus olhares se conectaram de uma forma intensa.
— E isso só me faz te admirar ainda mais.
Ela não respondeu de imediato. Apenas desviou o olhar, sentindo as bochechas queimarem, não mais de vergonha, mas sim por nunca ter escutado aquele tipo de coisa.
Ele encheu a banheira e a ajudou a entrar com cuidado, segurando firme sua mão para que não escorregasse. Depois, permaneceu ali, atento, auxiliando-a no banho com movimentos tranquilos.
Era impossível não sentir desejo por ela tão próxima, mas Renato mantinha a mente sob controle, lembrando a si mesmo o tempo todo que aquele não era o momento de ultrapassar limites, e sim de respeitar o tempo dela. Por isso, evitava até o próprio olhar, concentrando-se apenas em cuidar, em ajudá-la a relaxar, tendo em mente que, se a tratasse com amor e cuidado, teria uma vida inteira ao lado dela para, enfim, tê-la por completo.

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