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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 227

Os primeiros dias em casa foram completamente diferentes de tudo o que Sara já tinha vivido.

Não havia nada de silêncio, nem de rotina previsível ou no controle.

Agora, cada minuto parecia girar em torno de um pequeno ser que, ao mesmo tempo que dormia como um anjo, também tinha o poder de transformar qualquer noite em um verdadeiro caos.

O relógio marcava pouco mais de duas da manhã quando o choro de Léo soou na babá eletrônica. Ela abriu os olhos lentamente, ainda tentando entender onde estava.

— Ele está chorando… — murmurou, mais para si mesma.

Mas Renato já estava sentado na cama.

— Eu pego ele — disse, levantando-se quase no impulso.

Surpresa, ficou alguns segundos observando. Ainda não estava acostumada com aquela prontidão dele.

Renato entrou no quarto do bebê e, poucos segundos depois, voltou com Léo nos braços, claramente tentando entender como aquilo funcionava.

— Ele… está com fome? — perguntou, meio perdido.

Sara deixou escapar um pequeno sorriso.

— Provavelmente.

Ela se sentou na cama com cuidado, e Renato se aproximou, entregando o bebê com mais cautela do que o necessário, como se estivesse segurando algo extremamente frágil. Porque, na verdade, ele realmente estava.

Enquanto Sara alimentava o filho, Renato se sentou ao lado, observando cada detalhe como se estivesse assistindo a algo incrível.

— Quando dá para saber que ele está realmente saciado?

Ela riu baixo, antes de responder.

— Quando ele solta o peito por si mesmo.

— Nossa… — ele deu de ombros — isso tudo é novo para mim.

— Para mim também. Mas estou pesquisando sobre tudo o que preciso saber.

Quando o pequeno finalmente terminou, Renato o colocou para arrotar e depois o levou para o berço.

— Acho que deveríamos colocar o berço no quarto para facilitar nas madrugadas — Sara comentou, quando ele voltou.

— É melhor não. — Renato respondeu.

— Por que não? Isso facilitaria as coisas para nós, não acha?

— No início até que sim, mas daqui a alguns dias, ele não poderá ficar aqui — comentou naturalmente.

Não era preciso que Renato explicasse o motivo daquela observação; Sara entendeu na mesma hora o que ele queria dizer. E, por mais que aquilo não estivesse em seus pensamentos naquele momento, sabia que, quando chegasse a hora e o médico a liberasse, não haveria espaço para desculpas, pois ela queria aquilo tanto quanto ele.

Sem saber o que responder, ela apenas mordeu os lábios e desviou o olhar. Renato se deitou ao seu lado com cuidado e a puxou para perto, afundando o rosto no pescoço dela.

— Você é tão cheirosa… — disse, com a voz rouca.

Ela deixou escapar um leve sorriso.

— Você acha? — questionou. — Não estou cheirando a leite?

Ele soltou um riso baixo, aproximando ainda mais o rosto.

— Nem um pouco — respondeu, antes de deixar um beijo demorado no pescoço dela.

Sem que pudesse evitar, Sara sentiu o corpo reagir, então fechou os olhos por um instante, enquanto Renato permaneceu ali por mais alguns segundos, com o rosto encostado em seu pescoço, respirando fundo como se tentasse se controlar.

A mão dele deslizou com cuidado pelo braço dela, subindo devagar, como se ainda testasse até onde podia ir. Ela não se afastou, pelo contrário, virou levemente o rosto, o suficiente para encará-lo, e, por um instante, os dois ficaram apenas se olhando.

Renato aproximou o rosto mais uma vez, roçando de leve os lábios nos dela, num beijo curto. Sentindo o coração acelerar, ela correspondeu.

— Você me deixa louco… — disse ele, entre os beijos.

Soltando um pequeno suspiro, tentando manter o controle, ela respondeu:

— E você não facilita…

Ele sorriu de leve, voltando a beijá-la, dessa vez um pouco mais demorado, porém ainda com cuidado, sabendo que não devia ultrapassar os limites.

Por um instante, realmente sentiu que talvez não se controlaria, mas o choro de Léo, vindo novamente da babá eletrônica, o fez voltar a si.

Os dois se afastaram no mesmo instante.

Fechando os olhos, Renato soltou um suspiro quase frustrado, enquanto Sara não conseguiu segurar um pequeno riso.

— Claro… — murmurou ela, ainda rindo.

Ele se aproximou da cama com cuidado e deitou o bebê entre os dois, ajeitando a mantinha, fazendo uma espécie de ninho.

— Pronto.

E o que era para ser apenas uma noite, acabou virando hábito. Nenhum dos dois conseguia mais dormir sem o Léo entre eles, como se aquela pequena presença tivesse se tornado parte essencial do descanso dos dois. Se, por acaso, tentavam deixá-lo no berço, o silêncio estranho no quarto parecia incomodar mais do que o próprio choro. No fim, sempre acabavam cedendo. E, mesmo sem admitir em voz alta, aquela rotina improvisada trazia um conforto que nenhum dos dois estava disposto a abrir mão.

Entre mamadas, trocas de fralda e pequenos momentos de descanso, os dois começaram a encontrar um ritmo, ainda desajeitado, mas deles.

Renato se oferecia para tudo, absolutamente tudo: trocar fralda, arrotar, acalentar e ficar acordado a madrugada toda. Tudo o que ele queria era que Sara descansasse o máximo possível, porque sabia o quanto aquela rotina, somada à recuperação dela, exigia mais do que parecia.

[…]

Em uma tarde tranquila, enquanto Léo dormia no berço, Sara estava sentada no sofá, descansando, quando Renato apareceu na sala com um copo de água.

— Você precisa beber mais água.

— Obrigada — disse, pegando o copo da mão dele. — Você está fazendo um bom trabalho.

Ele se sentou ao lado dela.

— E eu quero fazer mais — respondeu ele.

— Ah, é? — ela perguntou, com um sorriso divertido. — O que mais pretende fazer?

Renato não hesitou.

— Quero oficializar de verdade a nossa relação.

O sorriso dela vacilou.

— Como assim?

Sustentando o olhar, ele declarou:

— Sara… quero me casar com você. E, dessa vez, quero que seja de verdade.

A surpresa veio na hora. Os olhos dela se arregalaram, e por um instante ela não soube o que dizer.

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