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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 219

Houve um pequeno silêncio do outro lado da linha. Sara pensou que Renato estava ponderando se ela tinha ouvido a voz da mulher ou não. No entanto, ela ignorou, fingindo que nada havia acontecido.

— Sara? — disse ele depois de alguns segundos.

— Oi. — Ela tentou não deixar a voz falhar.

— Tenho que desligar agora. Mas, como disse, vou fazer de tudo para voltar o mais cedo possível.

— Não se preocupe. — Enxugou a lágrima que já insistia em cair.

— De qualquer forma, vou deixar meu motorista à sua disposição, caso precise de algo.

— Muita gentileza da sua parte.

A resposta soou educada. Mas havia uma pontada de sarcasmo.

— Quando eu voltar, temos que conversar. Não se esqueça disso.

— Tudo bem. Não vou me esquecer.

Sem esperar que ele dissesse mais nada, Sara desligou e colocou o celular em cima da mesa. No mesmo instante, sentiu as mãos tremendo, e as lágrimas que segurava começaram a rolar.

Odete franziu o cenho.

— O que aconteceu, menina?

— Eu não disse, Odete? — falou entre o choro. — Eu não devia confiar no Renato.

— Mas o que ele falou que te deixou assim?

— O mesmo Renato que disse que voltava logo acabou de me avisar que vai precisar viajar agora mesmo.

Confusa, Odete a encarou.

— Como assim? Para onde ele vai?

— Não importa para onde ele vai, tudo o que eu só queria era saber o que ele iria fazer, mas… — Enxugou o nariz. — Quando ia me responder, uma voz de uma mulher o interrompeu, apressando para irem logo.

— Isso deve ser um mal-entendido, Sara.

— Não há mal-entendidos. — A voz saiu firme, mais alta. — Para de defendê-lo, Odete!

Pediu, com a voz indignada.

— O Renato apenas arrumou uma desculpa para ficar com essa mulher — continuou.

— Eu não estou defendendo ele, mas também não acredito que seja isso.

— Então, o que é? — perguntou, levantando-se da cadeira. — Me diz por qual razão ele me deixou aqui no apartamento ontem e saiu para beber com ela. — Fez uma pausa. — Me diz por que ele saiu daqui apressado de manhã, mesmo depois de dizer que queria conversar comigo.

— Ele deve ter os seus motivos.

— Ah, com certeza tem. — A boca ficou amarga. — O Renato se cansou de esperar por mim e está saindo com outra pessoa.

Sara caminhou até a pia, pegou um copo, encheu de água e bebeu de uma vez, tentando tirar aquele gosto da boca.

— Bem que você tinha me alertado — confessou, um pouco mais baixo, se apoiando na bancada. — Ele não me esperaria para sempre.

Decidida a se acalmar, ficou ali deitada. Mas, com o passar do tempo, percebeu que não estava melhorando. Pelo contrário, as dores no corpo começaram a surgir com mais frequência. Havia escutado sobre contrações de treinamento e pensou que era apenas aquilo, mas horas depois, quando percebeu que o intervalo entre uma contração e outra estava ficando menor, deu-se conta de que podia estar entrando em trabalho de parto.

— Odete! — Chamou com a voz fraca, mas não teve resposta.

Reunindo o resto de força que tinha, chamou de novo.

— Odete!

Dessa vez, o mais alto que pôde.

A mulher entrou no quarto rapidamente e, quando viu a expressão de dor no rosto de Sara, percebeu que algo não estava bem.

— O que está sentindo?

— Eu acho que o bebê vai nascer. — Respondeu apressada.

Odete começou a suar frio.

— Tem certeza?

— Sim. Quero ir para o hospital.

— Tudo bem. Quer que eu chame uma ambulância ou um táxi?

Sara começou a chorar.

Não queria nenhum dos dois. Queria apenas Renato.

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