Houve um pequeno silêncio do outro lado da linha. Sara pensou que Renato estava ponderando se ela tinha ouvido a voz da mulher ou não. No entanto, ela ignorou, fingindo que nada havia acontecido.
— Sara? — disse ele depois de alguns segundos.
— Oi. — Ela tentou não deixar a voz falhar.
— Tenho que desligar agora. Mas, como disse, vou fazer de tudo para voltar o mais cedo possível.
— Não se preocupe. — Enxugou a lágrima que já insistia em cair.
— De qualquer forma, vou deixar meu motorista à sua disposição, caso precise de algo.
— Muita gentileza da sua parte.
A resposta soou educada. Mas havia uma pontada de sarcasmo.
— Quando eu voltar, temos que conversar. Não se esqueça disso.
— Tudo bem. Não vou me esquecer.
Sem esperar que ele dissesse mais nada, Sara desligou e colocou o celular em cima da mesa. No mesmo instante, sentiu as mãos tremendo, e as lágrimas que segurava começaram a rolar.
Odete franziu o cenho.
— O que aconteceu, menina?
— Eu não disse, Odete? — falou entre o choro. — Eu não devia confiar no Renato.
— Mas o que ele falou que te deixou assim?
— O mesmo Renato que disse que voltava logo acabou de me avisar que vai precisar viajar agora mesmo.
Confusa, Odete a encarou.
— Como assim? Para onde ele vai?
— Não importa para onde ele vai, tudo o que eu só queria era saber o que ele iria fazer, mas… — Enxugou o nariz. — Quando ia me responder, uma voz de uma mulher o interrompeu, apressando para irem logo.
— Isso deve ser um mal-entendido, Sara.
— Não há mal-entendidos. — A voz saiu firme, mais alta. — Para de defendê-lo, Odete!
Pediu, com a voz indignada.
— O Renato apenas arrumou uma desculpa para ficar com essa mulher — continuou.
— Eu não estou defendendo ele, mas também não acredito que seja isso.
— Então, o que é? — perguntou, levantando-se da cadeira. — Me diz por qual razão ele me deixou aqui no apartamento ontem e saiu para beber com ela. — Fez uma pausa. — Me diz por que ele saiu daqui apressado de manhã, mesmo depois de dizer que queria conversar comigo.
— Ele deve ter os seus motivos.
— Ah, com certeza tem. — A boca ficou amarga. — O Renato se cansou de esperar por mim e está saindo com outra pessoa.
Sara caminhou até a pia, pegou um copo, encheu de água e bebeu de uma vez, tentando tirar aquele gosto da boca.
— Bem que você tinha me alertado — confessou, um pouco mais baixo, se apoiando na bancada. — Ele não me esperaria para sempre.
Decidida a se acalmar, ficou ali deitada. Mas, com o passar do tempo, percebeu que não estava melhorando. Pelo contrário, as dores no corpo começaram a surgir com mais frequência. Havia escutado sobre contrações de treinamento e pensou que era apenas aquilo, mas horas depois, quando percebeu que o intervalo entre uma contração e outra estava ficando menor, deu-se conta de que podia estar entrando em trabalho de parto.
— Odete! — Chamou com a voz fraca, mas não teve resposta.
Reunindo o resto de força que tinha, chamou de novo.
— Odete!
Dessa vez, o mais alto que pôde.
A mulher entrou no quarto rapidamente e, quando viu a expressão de dor no rosto de Sara, percebeu que algo não estava bem.
— O que está sentindo?
— Eu acho que o bebê vai nascer. — Respondeu apressada.
Odete começou a suar frio.
— Tem certeza?
— Sim. Quero ir para o hospital.
— Tudo bem. Quer que eu chame uma ambulância ou um táxi?
Sara começou a chorar.
Não queria nenhum dos dois. Queria apenas Renato.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!