— Qual é o problema?
— Eu... — Roberto não queria contar à avó que Jaqueline já estava casada. Quando pensava em inventar uma desculpa, o celular emitiu um som breve, um "ding-dong".
Ele tirou o celular do bolso e viu que Jaqueline tinha enviado uma mensagem.
[Venha ao banheiro, por favor. Obrigada.]
Roberto guardou o celular:
— Vó, preciso ir ao banheiro.
Roberto deixou a sala de jantar e, ao chegar ao banheiro, Jaqueline abriu a porta, o puxou para dentro e a fechou com um estrondo.
— Você está sendo bem educada. — Roberto balançou o celular na frente dela, brincando.
Ele sentia que aquela mulher mandava mensagens tão formais, com "por favor" e "obrigada", que parecia estar falando com um estranho.
— E o que queria? Que eu falasse com você sem educação? — Jaqueline perguntou.
— Eu preferia que você fosse grosseira comigo, que brigasse comigo.
Jaqueline franziu as sobrancelhas:
— Você quer tanto assim que eu brigue com você?
— Sim. Eu prefiro que você seja brava comigo. Não quero que você fale comigo desse jeito educado. Isso me incomoda.
Quanto mais educada ela era, mais ele sentia que ela estava distante dele. Não importava se ela brigasse ou gritasse, ele só não queria que ela o tratasse como um estranho.
Jaqueline sorriu, impotente:
— Você é mesmo estranho. Quem pensa assim? Se eu for grosseira, você reclama que não sou educada. Se sou educada, você se incomoda. Por que é tão difícil agradar você?

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