Ele passou a noite em claro, ficando ao lado dela, atento a qualquer movimento para verificar se ela estava desconfortável ou precisava de água.
Somente ao amanhecer, Roberto levantou a mão para verificar a temperatura da testa de Jaqueline.
Ao perceber que a febre havia passado, ele finalmente respirou aliviado.
Roberto estava exausto. Se sentou na cama, esfregou o nariz com os dedos e caminhou sonolento em direção ao banheiro, acidentalmente chutando a lixeira no caminho.
Ele se assustou, preocupado em acordar Jaqueline, mas, por sorte, ela continuava dormindo profundamente.
Ao se agachar para recolocar a lixeira no lugar, notou duas pílulas dentro dela.
Ele estava com uma expressão de confusão.
"A Jaque não disse que tomou o remédio? Mas por que está no lixo? Por que ela mentiria para mim? São só duas cápsulas, por que ela não as tomou? Ela não é de evitar remédios."
Uma inquietação cresceu dentro dele. Se virou e olhou intensamente para a mulher adormecida na cama.
...
Quando Jaqueline acordou novamente, já era quase meio-dia.
Ela estava sozinha na cama.
Olhou fixamente para a parede, ainda sentindo um pouco de tontura.
Se lembrava vagamente de que Roberto havia cuidado dela durante a noite.
Tocou o lençol ao seu lado, que estava frio, ele já havia saído há algum tempo.
A noite anterior parecia um sonho.
Jaqueline se levantou grogue da cama e foi ao banheiro se lavar.
Ao sair do quarto, o mordomo rapidamente se aproximou:
— Sra. Santana, está se sentindo melhor?
— Estou, obrigada. — Jaqueline ainda parecia pálida. — E o Roberto, onde ele está?
O mordomo respondeu:
— Qualquer coisa está boa. — Jaqueline não ligava muito para comida, estava com dor de cabeça e voltou para o quarto, se sentando na cama e suspirando profundamente.
Depois de pensar um pouco, pegou o telefone e discou o número de Roberto.
— Alô. — Não demorou muito para atenderem, mas não era a voz de Roberto.
Jaqueline perguntou:
— Quem está falando?
— Sra. Santana, aqui é o Osvaldo. A senhora está procurando pelo Presidente Roberto?
— Sim, onde ele está agora?
— O Presidente Roberto está no banheiro ajudando a Srta. Ângela e não pode atender ao telefone. Há algo que gostaria de dizer a ele? Posso passar a mensagem.
Jaqueline sentiu como se a cabeça tivesse sido dividida ao meio num instante.
"Ele está no banheiro ajudando a Ângela? Um homem e uma mulher no banheiro, a Ângela se despiu para ele ajudar?"

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