— Vovó, vou ao banheiro. — Jaqueline colocou os talheres na mesa e se levantou da cadeira.
Depois que Jaqueline saiu, Catarina olhou para Roberto:
— Você tá sentado aí esse tempo todo sem falar nada. Por quê?
Roberto sorriu com amargura:
— E o que mais eu podia dizer? Mesmo que eu concordasse, a Jaqueline talvez não concordaria. Ela não quer se aproximar de mim. Mesmo que fosse só pra fingir, ainda seria muito estressante pra ela.
Era por isso que ele não tinha dito nada. Sentia que qualquer coisa que dissesse só ia deixar ela ainda mais incomodada.
Aquelas palavras, mesmo ditas à avó, não o assustavam, porque ele sabia que, no fundo, a avó entendia tudo perfeitamente. Continuar escondendo aquilo deixava todo mundo ainda mais ansioso.
Catarina suspirou, percebendo que tudo aquilo estava dentro do que ela já imaginava:
— Se a Jaqueline te trata assim agora é porque você merece. Uma esposa tão boa foi destruída por você mesmo. Você é igualzinho ao seu pai! Como é que não aprendeu com os erros dele?
Roberto respondeu, resignado:
— Também não sei por quê. Talvez seja da natureza humana fazer o que é errado, mesmo sabendo que é errado. Se não fosse isso, não existiriam tantas guerras no mundo.
Catarina balançou a cabeça com impotência:
— Estou cansada demais para brigar com você agora. Você não pensa em tentar reconquistar a Jaqueline? Não podia simplesmente insistir um pouco mais? A nossa Jaqueline tem um coração bom e é muito sensível. Se você insistir um pouco, ela vai acabar cedendo.

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