No instante em que viu Henrique Gomes, Rosângela Nunes sentiu um gosto indescritível no coração. Foi algo complexo, um pouco de irritação e um rastro de frustração que ela mesma não queria admitir.
Ele não deveria estar esperando por ela na porta do Jardim do Vento? Como é que estava com essa mulher?
O olhar de Henrique Gomes também caiu diretamente sobre ela. Quando ele viu Vasco Rodrigues ao seu lado, seus olhos esfriaram instantaneamente, carregados de ciúmes e fúria mal disfarçados.
Diamela Santos, no entanto, agiu como se não notasse a tensão perigosa que pairava entre eles. Ela sorriu e disse com a maior naturalidade:
— Nós também não conseguimos reservar uma sala. Não se importam em dividir a mesa, não é?
Sem esperar por uma resposta, ela puxou Henrique Gomes para dentro e se sentou de frente para eles.
De repente, o clima na pequena sala reservada ficou insuportavelmente constrangedor.
Vasco Rodrigues deu um sorriso frio. Sem pressa, ele pegou um pedaço de comida com os hashis e colocou no prato de Rosângela Nunes:
— Rosângela, coma mais. Não deixe que pessoas irrelevantes estraguem o seu apetite.
Ele enfatizou bem as palavras "pessoas irrelevantes".
A expressão de Henrique Gomes ficou ainda pior.
Mas Diamela Santos parecia ser uma mestre em ajustar a atmosfera. Ela abriu um sorriso radiante:
— A Srta. Nunes e o Dr. Rodrigues se dão tão bem. Bonitos e talentosos, parecem ser o par perfeito.
As palavras dela soavam como um elogio, mas, na verdade, estavam jogando lenha na fogueira.
E como esperado, os nós dos dedos de Henrique Gomes, que seguravam a xícara de chá, ficaram brancos pela força.
Para Rosângela Nunes, aquela refeição tinha gosto de serragem. Era como estar sentada sobre espinhos.
— Eu já terminei.
Henrique Gomes soltou os hashis de repente, levantou-se, jogou essa frase gélida no ar e virou as costas para sair.
— Ei, Henrique! Espere por mim! Eu preciso te explicar o que aconteceu da última vez!
Diamela Santos se levantou às pressas. Ela deu um sorriso cheio de desculpas para Rosângela Nunes e Vasco Rodrigues.
— Sinto muito, a minha família teve uma emergência. Eu vou indo.
Dito isso, ela saiu correndo atrás dele.
A sala reservada finalmente ficou apenas com os dois.
Vasco Rodrigues olhou para o rosto inexpressivo de Rosângela Nunes e suspirou:

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