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Entre Céus e Adeus romance Capítulo 405

Vasco Rodrigues sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.

— Rosângela Nunes é a minha caloura. Os problemas dela são os meus problemas. Diferente de certas pessoas, que só trazem confusão e perigo para a vida dela.

Ele segurou o pulso de Rosângela Nunes e se virou para caminhar em direção ao quintal. Sem sequer olhar para trás, atirou as últimas palavras:

— Diretor Gomes, pode ir embora. Você não é bem-vindo no Jardim do Vento.

O portão bateu com força bem na cara de Henrique Gomes.

Já no pátio, Vasco Rodrigues soltou a mão de Rosângela Nunes. A preguiça e o sarcasmo sumiram de seu rosto em um piscar de olhos, dando lugar a uma expressão pesada.

— Desembucha. O que aconteceu? Por que você estava metida com ele de novo?

Ele franziu a testa, com a voz carregada de repreensão. — Você por acaso esqueceu de como aquele homem te machucou? A ferida curou e você já esqueceu da dor?

Rosângela Nunes sentiu uma pontada na cabeça com o interrogatório. Ela massageou as têmporas e resumiu os acontecimentos recentes: a confusão no hospital, o acidente no haras e o sequestro daquela noite.

A cada palavra, o rosto de Vasco Rodrigues ficava mais sombrio.

— Diamela Santos?

Ele soltou uma risada fria quando ela terminou de falar.

— Esses ratos de esgoto estão cada vez mais criativos.

Ele olhou para o rosto exausto de Rosângela Nunes. Um lampejo de pena passou por seus olhos, mas sua língua continuou afiada:

— Você também é muito burra. Sabia que era uma armadilha e mesmo assim foi sozinha? Acha que é feita de ferro?

Rosângela Nunes não tinha forças para bater boca com ele.

— Chega. Não vamos ficar parados aqui. Vamos entrar.

Vasco Rodrigues suspirou e a empurrou de leve para dentro de casa.

— Deixa que eu investigo isso. Nos próximos dias, você não vai a lugar nenhum. Vai ficar bem quietinha em casa.

— E vê se coloca na sua cabeça: fique longe daquele desastre que é o Henrique Gomes. Fui claro?

Rosângela Nunes mal conseguiu dormir aquela noite.

Ao ver Rosângela Nunes sair, ele apagou o cigarro na mesma hora e endireitou a postura.

— Você... — Rosângela Nunes olhou para os olhos dele, injetados de sangue. Um pensamento cruzou sua mente. — Você passou a noite inteira aí?

Henrique Gomes não respondeu. Apenas abriu a porta do passageiro.

— Entra. Eu te levo.

— Não precisa. — Rosângela Nunes desviou dele e caminhou em direção ao próprio carro. — Eu tenho carro.

Mas Henrique Gomes agarrou o pulso dela com força.

— Rosângela Nunes, — ele a encarou, com a voz terrivelmente rouca. — Para de me afastar, por favor.

— Eu admito, eu fui um canalha no passado. Eu fui um lixo. Eu te machuquei até não sobrar nada de você.

O olhar dele fervilhava com emoções densas, como um vulcão prestes a entrar em erupção.

— Mas agora, a única coisa que eu quero é te proteger. Eu não suporto mais ver você sofrer nenhum arranhão.

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