— Me dê uma chance, uma chance de compensar você.
O coração de Rosângela Nunes virou uma bagunça com essas palavras. Ela puxou a mão com força, recuou um passo, criando distância entre os dois.
— Henrique Gomes, a palavra "chance" já não existe mais entre nós.
Ela o encarou, com um olhar claro e decidido.
— Nossa colaboração acabou. De agora em diante, cada um segue o seu próprio caminho, sem termos mais nada a ver um com o outro.
Após dizer isso, ela nem sequer olhou para trás. Entrou em seu próprio carro, ligou o motor e partiu, deixando-o comendo poeira.
Henrique Gomes ficou parado no mesmo lugar, observando o carro dela desaparecer no fim da rua. Sua figura alta parecia excepcionalmente solitária sob a luz do sol da manhã.
Fazenda Santa Aurora.
Quando Rosângela Nunes chegou, Vasco Rodrigues, para sua surpresa, também estava lá.
Ele estava fazendo companhia a Ricardo Laurentino, jogando xadrez no pátio.
Ao ver Rosângela Nunes, Ricardo Laurentino acariciou a barba e sorriu abertamente:
— A garota chegou! Venha cá, venha ver como o péssimo jogador do Vasco foi massacrado por mim de novo.
Vasco Rodrigues deu de ombros, com uma expressão de quem não se importava:
— Respeito aos mais velhos, sabe como é? Eu só estava pegando leve com o senhor.
Rosângela Nunes se aproximou, cumprimentou o professor e fez um relatório detalhado sobre a conclusão bem-sucedida do projeto.
Ricardo Laurentino ouviu tudo e assentiu com satisfação:
— Bom trabalho. Não me envergonhou.
Ele olhou para Rosângela Nunes, com um olhar que carregava ainda mais afeto:
— Só que você emagreceu um pouco. Não se esforce tanto, a sua saúde vem em primeiro lugar.
O coração de Rosângela Nunes se aqueceu.
Ao sair do escritório, Vasco Rodrigues a seguiu.
— E então? Levou uma bronca minha ontem à noite e veio buscar consolo com o professor?
Ele estava com as mãos nos bolsos, ainda com aquele tom provocador de quem pedia para apanhar.
Rosângela Nunes o ignorou.
Porém, Vasco Rodrigues tirou do bolso uma caixinha de veludo refinada e estendeu na frente dela.
— Toma. É para você.
— Obrigada, Vasco.
— Tá bom, chega de melodrama.
Vasco Rodrigues pareceu um pouco desconfortável sob o olhar dela e voltou à sua habitual postura preguiçosa.
— Vamos logo. O seu veterano vai te levar para comer algo bom e comemorar o seu dia.
Os dois foram a um renomado bistrô exclusivo no centro da cidade.
O ambiente era muito elegante. Vasco Rodrigues claramente era um cliente habitual ali, pois o gerente os guiou pessoalmente até uma sala reservada perto da janela.
Após fazerem os pedidos, Vasco Rodrigues serviu uma xícara de chá para ela:
— Diga logo, você veio ver o professor hoje porque tinha outro assunto, não é?
Rosângela Nunes assentiu. Ela estava prestes a contar a ele sobre Eva Ribeiro, quando a porta da sala reservada foi aberta por fora.
— Que coincidência! Dr. Rodrigues, Srta. Nunes, vocês também estão comendo aqui?
Um rosto com maquiagem impecável espiou para dentro. Era "Diamela Santos".
E, atrás dela, estava um Henrique Gomes com o rosto sombrio.

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