Por isso, após um momento de silêncio, o médico foi direto ao ponto e expôs a situação a Bernardo.
— Além disso, se a Sra. Pereira continuar nesse estado, isso acarretará muitos problemas. Se a infecção na córnea progredir, mesmo que a retiremos para a Sra. Botelho, não servirá de muita coisa.
O médico não fez rodeios.
Adelina estava com problemas nos dois olhos.
Cora só tinha uma córnea que poderia ser utilizada.
A recuperação de Adelina já não seria igual à expectativa inicial.
E agora, se a infecção de Cora continuasse...
Mesmo que Adelina recebesse a córnea de Cora, o esforço teria sido em vão.
— Por isso, se o senhor planeja retirar a córnea da Sra. Pereira para doá-la à Sra. Botelho, é melhor que seja feito o mais rápido possível.
O que o médico disse era cruel, mas era a pura realidade.
Depois disso, ele não disse mais nada.
A decisão daquela questão ainda estava nas mãos de Bernardo.
Se fosse antes, Bernardo não teria hesitado.
Mas, no momento, ele permaneceu em um silêncio incomum.
Seu olhar recaiu sobre o médico.
Demorou muito até que ele perguntasse com calma:
— Qual é o prazo máximo?
O médico entendeu que ele não estava perguntando sobre o estado de Adelina, e sim sobre a viabilidade da córnea de Cora.
Ele respondeu com firmeza:
— No máximo uma semana. A menos que a situação da Sra. Pereira melhore. Caso contrário, a remoção terá que ser feita. Mas as chances de melhora são ínfimas, porque a infecção é muito grave e a inflamação não cede.
Ou seja, uma semana era o limite extremo.
Poderia até ser antes.
Bernardo apenas concordou levemente, sem dizer mais nada.
No intervalo dessa conversa, Wilson se aproximou.
Com uma expressão séria, ele olhou para Bernardo:
— Sr. Pereira, a polícia está aqui.
O olhar de Bernardo pesou e ele assentiu.


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