Assim, aquela situação foi temporariamente pacificada.
Bernardo se despediu dos policiais e voltou imediatamente para o quarto de Adelina.
Adelina, ao ver Bernardo, já sabia perfeitamente o motivo de sua visita.
Ela não hesitou nem por um segundo.
Preferiu atacar primeiro:
— Você veio me procurar por causa da Cora?
Bernardo não negou.
— Pois não precisa perder seu tempo. Eu só quero justiça. O parto já acabou, a polícia está apenas seguindo o protocolo. Não adianta nada você vir falar comigo — Adelina foi irredutível.
Bernardo olhou para ela, em silêncio:
— Você realmente precisa levar isso a esse ponto? Ela ainda está entre a vida e a morte na UTI.
Adelina riu de forma sutil ao ouvir isso.
Um riso que soou cheio de escárnio.
E então, suas palavras se tornaram afiadas, enquanto falava com Bernardo de forma direta.
— Bernardo, eu já tolerei demais, já cedi demais. O que mais você quer que eu faça? Eu simplesmente não posso deixar isso passar em branco — Adelina expôs cada palavra de forma clara.
Como se houvesse uma imensa tristeza ali.
E como se cada sílaba sua estivesse coberta de razão.
— Eu também tenho os meus princípios. Ela é mãe, mas eu também sou. A diferença é que o meu filho não teve a chance de viver em paz.
Adelina continuava usando a lógica a seu favor.
Ao ouvir aquilo, Bernardo cerrou os punhos.
Quem estava sendo colocado contra a parede agora era ele.
A imagem daquela criança destroçada ainda estava gravada profundamente na memória de Bernardo.
E não só na dele.
Renata Fogaça ainda não havia conseguido se recuperar do choque de tudo aquilo.
Ficou deprimida em casa por um longo tempo.
Afinal, aquele era o neto que Renata tanto havia desejado.
E de repente, ele se foi, e de uma maneira tão trágica.
Por isso, Bernardo não conseguia simplesmente rejeitar as palavras de Adelina.


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