O médico, ao ver a situação, mudou de expressão.
Imediatamente, administrou um sedativo em Cora.
Após a sedação, Cora se acalmou.
Bernardo permaneceu ao lado dela o tempo todo, com os nervos à flor da pele, sem mover um músculo.
Foi então que o médico olhou para Bernardo.
— Sr. Pereira, eu já havia avisado para não deixá-la agitada — o médico balançou a cabeça, em tom de desaprovação.
— Se os pontos se abrirem e houver uma infecção recorrente, as consequências serão desastrosas.
Enquanto falava, o médico examinava a área do sangramento.
Felizmente, não era grave.
Ele cuidou daquilo rapidamente.
Depois, voltou a encarar Bernardo.
— Sr. Pereira, há mais uma coisa. Sugiro que chamemos um oftalmologista para uma avaliação — o médico disse, de repente.
Isso fez Bernardo franzir a testa:
— Como assim?
— A equipe da oftalmologia já passou por aqui antes — o médico não foi tão explícito.
Mas todos sabiam o que aquilo significava.
Porque precisavam retirar a córnea de Cora para transplantar em Adelina.
Então, logicamente, exames prévios eram necessários.
Apenas usaram uma desculpa diferente.
Cora nem sequer desconfiou.
— A Sra. Pereira já havia lesionado uma das córneas anteriormente, não é? — o médico continuou perguntando.
Bernardo assentiu, sem negar.
— Porque, no momento, a Sra. Pereira está com febre alta persistente e nem os medicamentos mais fortes estão fazendo efeito. E ainda não conseguimos identificar a causa.
— Pode ser devido a uma infecção, ou talvez algo relacionado ao sistema imunológico dela.
— Mas essa febre alta está afetando a visão, causando uma inflamação severa. Se não controlarmos isso, ninguém pode garantir o que vai acontecer.
O médico foi muito direto.
— Tanto que não conseguimos determinar o motivo de a febre não baixar. Se isso evoluir, será muito perigoso.


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