Ela havia perdido tudo.
Não queria perder também a sua única filha.
Aquela criança havia se tornado a única motivação de Cora para continuar lutando até aquele momento.
Ela fixou o olhar em Bernardo:
— Tudo bem, o Nicolas se foi, e agora só me resta esta criança. Sou a mãe dela, tenho o direito de saber como ela está.
Bernardo permaneceu em silêncio, e desta vez não respondeu.
Porque não sabia como deveria responder.
Aquela criança era a única esperança de Cora.
Ele sabia disso melhor do que ninguém.
Mas o estado atual da criança era de deixar qualquer um tenso.
Cora não se importou com o silêncio de Bernardo.
— Bernardo, eu quero vê-la. Não me importa como ela esteja agora.
— Eu sei que ela ainda está viva, porque você precisa esperar que as ações passem para o seu nome.
— Deixe-me vê-la, ela é minha filha!
O desespero de Cora começava a transbordar.
Bernardo se aproximou dela e, naturalmente, tentou segurar sua mão.
Mas no segundo seguinte, mesmo sem forças, Cora se desvencilhou.
Ela não suportava sequer que Bernardo a tocasse.
Bernardo, claro, percebeu a rejeição.
Ele continuou olhando para Cora com a mesma intensidade.
Mas, dessa vez, tomou a iniciativa de falar.
— Cora, cuide de si mesma. No mínimo, você precisa sair da UTI para poder vê-la.
Bernardo falou com calma, sem esconder mais nada sobre o que estava acontecendo com a filha.
— O estado dela não é bom. Nasceu com muito baixo peso e tem várias complicações. Ela está na incubadora desde que nasceu, sob monitoramento 24 horas por médicos e enfermeiros. Não é adequado que você vá vê-la. Nem eu pude entrar, por causa do risco de infecção cruzada — ele disse a verdade.
Por um lado, para cortar qualquer ideia precipitada de Cora.
Por outro, porque era a mais pura verdade.
Bernardo só a tinha visto uma vez.
E mesmo assim, através do vidro da incubadora; ele nem sequer pôde tocar a criança.
Aquelas palavras fizeram o coração de Cora disparar de angústia.
Ela falou sem pensar duas vezes:

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