Um escárnio direcionado a si mesma e a Bernardo.
E à situação atual.
No entanto, ela não via necessidade de explicar nada disso.
Apesar de tudo, Adelina parecia ter desaparecido completamente da mídia.
Não havia a menor notícia sobre ela.
Esse silêncio não trazia paz a Cora.
Pelo contrário, trazia uma inquietação crescente.
Era como a calmaria que precede a tempestade.
Uma pressão que a deixava com falta de ar.
— No que está pensando? — perguntou Bernardo, com um tom indiferente.
A voz dele fez Cora voltar à realidade. Ocultando suas emoções, ela respondeu com tranquilidade:
— Nada. Tenho me distraído facilmente nos últimos dias.
Bernardo lançou-lhe um olhar, mas não disse nada.
Ele a ajudou a entrar no carro, fechou a porta e deu a volta para entrar no banco do motorista.
O olhar de Cora desviou-se instintivamente para Bernardo.
Ao entrar, Bernardo notou que ela ainda não havia colocado o cinto de segurança e franziu levemente a testa.
— Coloque o cinto. — alertou ele.
O motor do carro já havia sido ligado.
Cora virou-se um pouco e puxou o cinto.
Mas por mais que puxasse, o cinto não entrava.
Sua impaciência fez seu rosto corar.
De repente, Bernardo se aproximou, e Cora ficou ligeiramente rígida.
Provavelmente por causa da tensão gerada pela proximidade dele.
— Está emperrado? — perguntou Bernardo baixinho.
Cora murmurou em resposta:
— Acho que emperrou.
Bernardo não disse nada; apenas abaixou a cabeça para verificar.
Com as mãos dele, o cinto entrou fácil, e no segundo seguinte já estava afivelado.
Devido a esse movimento, os dois ficaram muito próximos.
Cora tensionou o corpo inteiro.
Seus dedos finos agarravam a borda do banco, ligeiramente suados.

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