Bernardo continuou observando Cora com um olhar denso.
Cora não disse nada. Suas mãos ainda apertavam a borda do banco, mantendo a tensão.
Ela não conseguia prever o que ele faria.
Chegou a preparar-se para o pior.
Uma explosão de raiva da parte dele.
Afinal, pensou, já estava acostumada com isso.
Olhando pelo reflexo da janela, a expressão de Cora estava coberta de autodepreciação.
Porém, Bernardo permaneceu calado.
— Ah! — Cora soltou um grito de surpresa.
Seu rosto ficou pálido no mesmo instante, e ela agarrou-se firmemente à alça de segurança acima da porta.
Com a outra mão, protegeu instintivamente a barriga.
Se não estivesse presa pelo cinto...
Teria a certeza de que seria arremessada para fora do carro.
Isso porque Bernardo afundara o pé no acelerador, aumentando a velocidade bruscamente.
Um movimento tão repentino que não lhe deu tempo de reagir.
Cora sabia que fora proposital.
Ele detestava quando ela o contrariava.
E usava de várias maneiras para puni-la.
Seu silêncio não significava concordância. Sua crueldade impiedosa sempre revelava, de forma implacável, suas verdadeiras emoções.
Ainda assim, Cora não demonstrou a menor intenção de implorar.
Manteve-se na mesma posição, olhando fixamente pela janela, em silêncio.
Lutando para conter a náusea avassaladora que lhe revolvia o estômago.
Durante todo o trajeto, Bernardo manteve uma expressão rígida, sem diminuir a velocidade.
Uma sensação indescritível o deixava profundamente irritado.
Sim, tratar Cora bem em público era, sem dúvida, uma maneira de provocar Adelina.
Mas, às vezes, o hábito se transformava em natureza.
Independente da situação, Bernardo vinha agindo da mesma forma.
Chegava a duvidar se estava atuando ou sendo genuíno.
Porém, agora que esse véu havia sido rasgado por Cora...

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