Por onde as câmeras olhassem, davam para ver Bernardo cuidando de Cora.
Sempre que encontrava alguém, ele a apresentava com generosidade:
— Eu lhes apresento minha esposa.
Já Adelina, por sua vez, tinha ficado nas sombras.
Longe dali, em Boston, Adelina assistia àquelas cenas com um semblante sombrio e assustador.
Os objetos da casa já haviam sido atirados e estilhaçados pelo chão.
Os criados ao redor permaneciam de pé, mas ninguém ousava se aproximar.
Todos temiam ser alvos de sua fúria.
Sem pensar duas vezes, ela pegou o celular e ligou para Bernardo.
Mas, no último segundo, Adelina desligou.
O aparelho foi esmagado com força em sua palma.
— Bernardo, você realmente precisa me forçar dessa maneira? — murmurou Adelina, cheia de ressentimento.
Ela ofegava.
Uma dor lancinante rasgava sua cabeça.
Logo depois, um grito agonizante ecoou do quarto principal, causando pânico entre os criados.
Adelina desabou no chão com um estrondo.
O local mergulhou no caos absoluto.
...
Após aquele jantar, Cora e Bernardo se aproximaram ainda mais.
Mesmo sabendo que tudo não passava de encenação, ela acabou se enredando naquela ternura distorcida.
Era uma contradição que sufocava Cora, deixando-a quase sem ar.
No entanto, ela ainda sabia firmemente o que precisava fazer.
Sua determinação de ir embora nunca havia mudado.
Apenas, em meio a essa firmeza, surgia ocasionalmente um leve momento de distração.
Um torpor que fazia tudo parecer irreal.
Mas, por causa disso, os dias de Cora ficaram mais fáceis.
Pelo menos ela não precisava viver sempre apreensiva, com medo do que Bernardo poderia fazer com ela.
— Senhora, o Sr. Pereira está esperando lá fora. — disse o mordomo, sorrindo para Cora.
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