O olhar de Nicolas permanecia fixo nela, atento.
Como se aguardasse ansiosamente sua resposta.
— O bebê foi muito comportado — Cora respondeu, a voz passiva e rígida.
Bernardo abriu um sorriso de puro fascínio paterno. Com a mão espalmada na barriga dela, de repente fez uma expressão de deslumbramento:
— O bebê está mexendo?
Era a surpresa legítima de quem experimentava a paternidade pela primeira vez.
Até Cora teve dificuldades para decifrar, naquela surpresa de Bernardo, o quanto era genuíno e o quanto era farsa.
Ela mordeu o lábio inferior e murmurou um som de confirmação.
— Comporte-se bem, não maltrate a sua mamãe, senão vou ter que dar um jeito em você mais tarde — sussurrou Bernardo para a barriga.
A ternura escorria de cada sílaba; o afeto parecia palpável e visível a olho nu.
Assistindo àquela cena, Nicolas realmente ficou tranquilo.
Cora não ousava mover um músculo, perfeitamente dominada por Bernardo.
O clima não era de todo ruim, mas passava longe de ser genuinamente bom.
Como Nicolas ainda estava gravemente doente, a energia do garoto não durou muito. Logo ele começou a transparecer extrema fadiga.
Bernardo então orientou o mordomo a levar Nicolas de volta para o quarto.
Ele permaneceu de pé o tempo todo, segurando o braço de Cora firmemente, impossibilitando qualquer tentativa de fuga.
Cora não se atreveu a explodir.
Foi apenas ao retornarem para a suíte principal que Cora explodiu por completo.
— Bernardo, o que diabos você está tentando fazer?! — ela rosnou para ele.
Lembrou-se do bebê no ventre e tentou se conter, receosa de que o estresse prejudicasse a criança.
Abaixou o tom de voz, suprimindo o som para controlar suas emoções.
Respirou fundo e, com os olhos vermelhos e marejados, o encarou de frente:
— A situação do Nicolas ainda é instável! Os médicos foram claros de que ele precisava de observação no hospital! Por que você trouxe ele de volta? Trazer ele para cá é forçá-lo ao suicídio!
Ela estava de frente para o marido, sem demonstrar recuo.
No passado, Nicolas dera tudo de si por ela.
Agora era a vez dela de ser o escudo protetor do irmão.
— Bernardo, se você está infeliz comigo, então venha para cima de mim! Você não precisa usar o Nicolas para me atingir — ela ofegava pesadamente enquanto falava.
Gastava muita energia e precisava descansar muito apenas para dizer uma frase.



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