Com um movimento brusco, ele a jogou na cama.
No segundo seguinte, Cora tentou se levantar.
— Cora, você realmente está precisando de uma lição! — Bernardo trincou os maxilares, cada sílaba soando gutural e ameaçadora.
Impondo sua estrutura física robusta, ele semiajoelhou-se na beirada da cama diante dela.
Cora desabou sob a sua presença.
Aquela face sombria de Bernardo lhe causava uma imensa e sufocante pressão.
O próprio oxigênio do quarto parecia ter se solidificado.
— Bernardo! — exclamou Cora, em choque.
Antes mesmo de poder terminar o que diria, Bernardo sacou um lenço com violência e tapou a boca de Cora.
O que ele pretendia fazer, não havia como ela não saber.
Mas, dessa vez, o pavor que havia brotado nos olhos de Cora esvaiu-se incrivelmente rápido, dando lugar a uma frieza atípica.
Ela passou a encarar Bernardo com profundo desprezo e arrogância.
Ela tinha ciência de que Bernardo desejava ouvi-la implorar por piedade; e quanto mais chorasse, mais excitado e dominador ele se sentiria.
A atual Cora se recusava a fazer isso.
Acabou decidindo se render ao fato de que já estava completamente despedaçada, sem tentar salvar o que restava.
Apenas ao recordar da fragilidade do rosto de Nicolas em sua mente é que sentiu uma forte pontada apertando o coração.
Ao notar a postura irredutível de Cora, o riso maligno e cínico no semblante de Bernardo evidenciou-se ainda mais.
Instantaneamente, o som brutal de um tecido se rompendo propagou-se no ar.
Naquele quarto silencioso, ouvir esse ruído causava intensos calafrios.
Apesar do ambiente estar perfeitamente climatizado, o contato abrupto da pele exposta com a atmosfera fez seu corpo arrepiar-se velozmente.
Cora compreendia que não se tratava de um frio físico, mas de sua alma congelando.
Isso prosseguiu até que cada uma de suas roupas fosse arrancada.
Demonstrando uma perversão sádica, Bernardo a arrastou impiedosamente para a frente do enorme espelho de corpo inteiro.
O que era refletido consistia em uma cena mórbida e perturbadora. Cora via a própria barriga elevada da gestação e suas partes mais íntimas e resguardadas.
Era uma mistura de humilhação e vexame extremos.
Era exatamente o que ele exigia que Cora assistisse de camarote.
Aquilo era uma prova irrefutável para que ela não se esquecesse de quem detinha e mantinha a hegemonia das rédeas.
Bernardo permaneceu atrás dela e começou a despir as próprias roupas de cima, num ritmo meticuloso e cadenciado.

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