Era um sorriso cheio de deboche.
Uma zombaria silenciosa sobre a impotência dela.
A raiva ferveu em suas veias num instante. Cora quis avançar e confrontá-lo ali mesmo.
Mas no exato momento em que deu o primeiro passo, a voz de Nicolas ecoou.
— Bernardo, para onde você está olhando? — perguntou o menino, curioso.
Bernardo abriu um sorriso superficial para Nicolas, tão falso que não lhe alcançava os olhos.
Fixando o olhar cinicamente em Cora, respondeu com um tom irônico:
— Sua irmã acaba de chegar.
Aquela simples frase fez toda a raiva de Cora desaparecer em um piscar de olhos.
Porque Nicolas se virou na mesma hora, com os olhos brilhando de alegria ao vê-la.
Ele estava pele e osso, o que deixava seus grandes olhos ainda mais expressivos naquele rostinho miúdo.
Mas, ao encará-la, era como se enxergasse o mundo inteiro ali.
— Cora! Você voltou! — ele exclamou. — Ontem o Bernardo foi me buscar no hospital e, quando perguntei de você, ele disse que você tinha saído para jantar com umas amigas.
O entusiasmo do irmão deixou Cora completamente sem voz.
Ela não teve escolha a não ser engolir a fúria.
Aquilo tudo era mentira.
Uma farsa do início ao fim.
No entanto, ela não podia simplesmente explodir ali e destruir a ilusão de Nicolas.
Obrigou-se a manter a compostura.
Cora caminhou até o irmão com passos aparentemente serenos.
Durante todo o tempo, Bernardo permaneceu em silêncio absoluto, plantado onde estava, observando-a com uma frieza calculista.
Se Nicolas fosse um pouco mais observador, notaria a tensão elétrica entre os dois.
Mas, cego pela admiração que nutria pelo cunhado, sequer desconfiou.
— Nicolas... — chamou Cora, aproximando-se com a voz ligeiramente trêmula.



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