Os guarda-costas imobilizaram Cora sem demora.
Bernardo se aproximou rapidamente, olhou para o médico e deu uma ordem fria:
— Aplique.
As pupilas de Cora continuavam a dilatar-se:
— Não... não...
Mesmo no instante em que o sedativo adentrava seu corpo, ela continuava a resistir.
— Fique quieta, Cora. — Bernardo advertiu num sussurro sombrio.
Apenas quando a medicação fez efeito e Cora desmaiou por completo, o silêncio retornou ao quarto do hospital.
Contudo, no átimo exato do desmaio, as íris amedrontadas ainda abrigavam uma imagem de terror irredutível.
Até mesmo no pesadelo, o corpo dela tremia.
Murmurando sem parar:
— Não, não... Eu imploro, não...
Aquela fobia emanava das profundezas de sua alma, terrível e avassaladora.
— O que diabos significa isso? Por que o sedativo causou essa reação? — Bernardo virou-se e interrogou o médico.
As convulsões de Cora eram severas demais.
Num reflexo impensado, Bernardo segurou a mão dela.
Instantaneamente, ele sentiu a força extrema de Cora sendo transferida para o seu pulso.
Uma força reprimida que não conseguia explodir.
Até marcas de unhas apareceram na pele dele.
Dava para imaginar o quanto de força Cora estava fazendo.
O médico achou estranho, mas respondeu serenamente:
— O sedativo não provoca isso. Ele apenas induz ao sono e acalma, causando um apagão de memória sobre os eventos recentes ao acordar.
Dizendo isso, o médico analisou Cora com uma expressão séria.
— O quadro da Sra. Pereira parece ser puro medo, fobia de agulhas. Mas para sabermos o que exatamente desencadeou isso, teremos que esperar a Sra. Pereira acordar para perguntar. — O médico falou rápido. — É um terror psicológico.
O rosto de Bernardo adotou uma aura cada vez mais gélida.
A primeira coisa que lhe veio à mente foi o tempo em que Cora morou com a Família Pereira.
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