A expressão de Bernardo se tornou sombria.
Se aquela ligação era ideia do assistente ou de Adelina, ele obviamente sabia.
O assistente não teria coragem.
Só podia ter sido a mando de Adelina.
A intenção era usar um terceiro para fazer Bernardo ir até ela.
Era mais uma de suas formas de pressão.
Ultimamente, Adelina andava cada vez mais audaciosa, mas ela conhecia os limites e sabia como sair ilesa.
— Você agora também me dá ordens? — Bernardo perguntou ao assistente, com a voz gélida.
A voz do assistente tremia:
— Eu não ousaria, Sr. Pereira. O senhor entendeu mal...
Bernardo deveria ter simplesmente desligado na sua cara.
Porém, dadas as circunstâncias, ainda deu algumas instruções.
— Cuide bem dela. Não deixe que cause mais problemas. Caso contrário, prepare-se para arcar com as consequências! — Bernardo concluiu com um tom pesado.
No fundo, ele ainda amolecia por Adelina.
Afinal, era a mulher que ele havia mimado e protegido na palma da mão por dez anos.
Como poderia realmente se enfurecer com ela?
Bernardo pensou que, assim que os problemas recentes fossem resolvidos, ele a compensaria de forma adequada.
Mas a atitude sufocante de Adelina no momento não passaria em branco; ela precisava de uma pequena lição.
Por isso, ele não iria.
Após encerrar a chamada, Bernardo empurrou a porta e entrou no quarto do hospital.
Cora continuava inconsciente.
A empregada olhou apreensiva para ele:
— Sr. Pereira, a senhora não para de murmurar enquanto dorme.
Bernardo se aproximou de Cora.
O rosto dela estava pálido e ela parecia extremamente inquieta.
As mãos estavam fechadas em punhos apertados.
Transmitia desamparo, angústia e uma fragilidade de dar pena.
Era como se estivesse se afogando em alto mar, sem sequer um pedaço de madeira para se agarrar.

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