Com um sorriso gélido, Bernardo já havia agarrado Cora e a puxado de volta.
Se antes Bernardo ainda demonstrava um pingo de cuidado.
Naquele momento ele havia se transformado na pura brutalidade.
Ele pressionou o rosto dela diretamente contra o travesseiro.
O travesseiro de plumas, que deveria ser macio, tornou-se de repente uma armadilha fatal.
— Hum... — A voz de Cora desapareceu por completo, reduzida a murmúrios abafados e quase inaudíveis.
O instinto de sobrevivência a fez lutar para não sufocar.
Mas a sua reação só intensificou o castigo imposto por Bernardo.
Ela se debatia, mas, diante da força implacável dele, seu corpo foi perdendo as energias lentamente.
Como se não bastasse, Bernardo ainda continuava prestando atenção ao que Adelina falava.
— Bernardo, estou aqui pensando no que usar amanhã. Tenho medo que os repórteres e os fãs percebam que eu estou grávida. Me dá um palpite, por favor?
— Ah, a propósito, acho que vou usar aquele conjunto de safiras que você me deu outro dia. Acho que vai combinar perfeitamente com um vestido branco.
Adelina parecia não se importar com o silêncio de Bernardo e continuou falando suavemente.
Mesmo através do aparelho, Cora conseguia escutar o timbre delicado de sua voz.
Era provável que qualquer homem caísse de amores por aquele tom aveludado.
Com o pensamento preso no que Adelina dizia, Cora se distraiu por um momento.
Bernardo percebeu esse lapso.
Seu olhar se tornou ainda mais carregado.
De supetão, ele puxou os cabelos de Cora, erguendo a sua cabeça.
A força excessiva fez com que Cora soltasse um grito de dor incontrolável.
Mas, no milésimo de segundo seguinte, o rosto dela afundou no travesseiro outra vez, silenciando completamente qualquer ruído.
Essa tortura psicológica e física era como despencar do paraíso para o inferno em questão de segundos; uma sensação asfixiante que consumia os pulmões.
Na outra ponta da linha, Adelina também silenciou.
Se antes ela parecia alheia a tudo, o grito repentino não passou despercebido.
Tinha sido a voz de Cora.
Ainda assim, diante daquela situação inusitada, Adelina não perdeu a paciência, mas seu tom deixou de ser manhoso e passou a soar magoado.
— Bernardo, será que eu atrapalhei você? — Adelina mordeu os lábios, a voz ficando embargada.
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