Cora ficou em silêncio.
Sentia-se exaurida, tanto de corpo quanto de alma.
Debatendo-se, conseguiu se soltar das mãos dele. Bernardo a observou com uma expressão descontente.
Cora perguntou de forma reta:
— Vamos continuar ou não?
Era uma postura corajosa e destemida.
De repente, Bernardo perdeu totalmente o interesse:
— Cora, você tem mesmo um talento nato para estragar o clima.
Ele atirou o braço dela para o lado com agressividade.
Cora, demonstrando total indiferença, caminhou a passos vagarosos e inexpressivos até o banheiro.
A atmosfera dentro do quarto principal ficou repentinamente densa.
Bernardo fitou as costas de Cora, e uma insatisfação profunda começou a crescer dentro dele.
Com que moral Cora se atrevia a esnobá-lo daquela forma.
Contudo, a figura esguia dela refletia um orgulho implacável.
Era como se, por mais duras que fossem as circunstâncias, Cora jamais cedesse.
Bernardo deu uma risada de desdém:
— Com essa atitude aí, Cora, como você acha que pode competir com a Adelina? Eu fico aqui te dando atenção em casa, e você ainda se acha no direito de subir à cabeça?
Com as costas voltadas para Bernardo, Cora ouviu aquelas palavras cruéis sem se comover.
Ela já estava acostumada com os ataques dele.
Estava tão exausta que sequer tinha disposição para discutir.
O que mais irritava Bernardo era precisamente aquele comportamento de Cora. Na superfície ela até parecia se sujeitar, mas, no fundo, era feita de aço e não demonstrava o mínimo interesse em se ajoelhar para ele.
Adelina era completamente o oposto.
Bastava perceber um sinal de desagrado para que parasse de imediato e usasse a sua doçura para convencê-lo do contrário, e não demorava a se desculpar.
Adelina costumava acariciar o seu ego e se desdobrava para vê-lo feliz.
Cora jamais faria isso; ela sempre bateria de frente.


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