Essa espiral de emoções distorcidas fez com que Cora sentisse dificuldade até para respirar.
Sentindo pontadas constantes no pé da barriga, ela agarrou o braço de Bernardo:
— Bernardo, minha barriga está doendo muito...
As palavras de Cora saíam de forma entrecortada.
Bernardo olhou nos olhos de Cora e, subitamente, sentiu uma onda de irritação.
— Cora, toda vez você usa a desculpa da dor de barriga, já perdeu a graça. Falei com o médico, e ele disse que depois de doze semanas a gravidez já está estabilizada. Então, pare de encenação, já deu. — Ele não acreditou nela em absoluto.
Assim que as palavras saíram, ela foi virada novamente por Bernardo, deixando-a de costas para ele.
No mesmo instante, o celular de Bernardo vibrou.
O aparelho estava no criado-mudo, bem no campo de visão de Cora, permitindo que ela visse a tela com clareza.
Era uma ligação de Adelina.
Bernardo, naturalmente, também notou.
Sem pensar duas vezes, esticou o braço para pegar o aparelho.
Foi um reflexo automático, como se não quisesse fazer Adelina esperar por um segundo sequer, com medo de que ela se sentisse deixada de lado.
Cora pensou em quantas vezes havia ligado para Bernardo.
Ele sempre a fazia esperar infinitamente.
Somente quando se lembrava da existência dela é que atendia, sem pressa alguma.
Muitas vezes, nem a deixava dizer uma palavra antes de desligar com impaciência.
Tudo era sempre culpa dela.
Ela era a imatura, ela era a problemática que gostava de criar confusão do nada.
Quando se tratava de Adelina, tudo estava certo, tudo era perfeitamente justificável.
Mesmo com eles na cama, Bernardo não permitia que Adelina aguardasse na linha nem por um instante.
Cora sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo.
Sentiu-se humilhada.
Num ímpeto, tentou se libertar daquele confinamento.
Sentia-se como um mero brinquedo nas mãos dele.
Por que ela merecia aquilo!
Eles estavam prestes a se divorciar.


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