Ela abaixou a cabeça, dando um sorriso de autodepreciação.
Mas logo ajustou suas emoções e respondeu com calma:
— Cozinhando macarrão.
— Por que não pediu para a empregada fazer? — Bernardo perguntou de forma indiferente.
As mãos dele, apoiadas na bancada, ainda não a haviam soltado. Ele franziu levemente a testa.
— Estou sem apetite, prefiro comer o que eu mesma preparo. — Cora respondia de forma seca. Não estava disposta a dizer uma única palavra a mais.
Aquele clima ficou um tanto passivo e constrangedor.
Durante todo o tempo, Cora sequer olhou para Bernardo.
Não que Bernardo não soubesse que ela estava chateada agora.
Mas, pelo menos na superfície, ele suavizou a atitude:
— Não fez para mim?
Porque ele sabia, melhor do que ninguém, que o estado de Cora estava instável e que precisava agradá-la agora.
Agradá-la para que ela desse à luz aquela criança em segurança.
Por isso, Bernardo estava disposto a tolerar esses pequenos acessos de raiva.
Desde que Cora fosse obediente.
E Bernardo achava que, ao abaixar a guarda e demonstrar humildade, Cora facilmente voltaria a se render a ele.
O resultado foi que Cora apenas o olhou com indiferença.
Seu olhar era plácido, sem a menor emoção.
— Por acaso a Adelina não cozinhou para você? Deixou você voltar para casa de barriga vazia? Isso não deveria acontecer. — Cora disse com um tom insosso.
Aquelas palavras carregavam uma clara ironia nas entrelinhas.
O semblante de Bernardo mudou.
A doçura de antes ruiu em um instante.
Ele percebeu que Cora sabia muito bem como provocar sua irritação.
E fazia isso de forma abusada.
O olhar de Bernardo também foi esfriando enquanto ele a encarava de cima.


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