Bernardo sabia o que Adelina queria dizer.
Ele achava que concordaria sem hesitar.
Afinal, ele nunca suportou ver Adelina sofrer.
Mas, naquele momento, percebeu que estava hesitando.
— Bernardo, você vai estar muito ocupado naquele dia? — Adelina olhou para Bernardo com um olhar magoado, já com uma desculpa na ponta da língua.
Mas, no segundo seguinte, ela parecia prestes a chorar:
— É que você sempre esteve presente todos os anos. Se você não for, ainda mais com a situação atual, tenho medo de que a opinião pública saia do controle.
Dizendo isso, Adelina segurou a mão de Bernardo, já com um tom de súplica.
— Bernardo, não preciso que você fique o tempo todo, mas pelo menos dê uma passadinha, por favor? — Ela mordeu o lábio, olhando para ele com uma expressão comovente e frágil.
Conhecendo-a há tantos anos, como Bernardo não a entenderia?
Ela não desistiria até alcançar seu objetivo.
Além disso, ele sentia, sim, certa culpa em relação a Adelina.
Portanto, mesmo que Bernardo estivesse impaciente agora, para acalmá-la e evitar qualquer outro imprevisto neste momento crítico...
Ele concordou.
— Eu irei. — Bernardo foi direto e conciso.
Essa simples frase pareceu fazer Adelina feliz instantaneamente.
Ela tomou a iniciativa de beijá-lo:
— Bernardo, obrigada. Eu te amo, te amo muito mesmo.
— Seja boazinha, descanse bem e não se canse muito ultimamente. O médico disse que você precisa repousar. — Bernardo afastou Adelina suavemente, persuadindo-a em voz baixa.
— Está bem. — Adelina assentiu.
Bernardo não se demorou muito no apartamento dela.
Como o objetivo de Adelina havia sido alcançado, ela não ficaria no pé dele.
Além do mais, ela já havia providenciado repórteres na porta do prédio, que naturalmente fariam vazar o fato de Bernardo estar frequentando o apartamento dela.
Adelina abaixou o olhar, transbordando confiança.
Ela havia esperado dez anos, como poderia permitir que algum imprevisto acontecesse?
Como ela poderia entregar Bernardo de bandeja para outra pessoa?
Só em sonhos!


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