O homem usava cabelos raspados e óculos escuros. Seus traços eram esculpidos e viris, exalando uma energia limpa e firme, mas com um toque de frieza inalcançável. As jovens que passavam pela rua não conseguiam evitar olhar para trás, encantadas.
Conforme Naiara se aproximava, a aura de distanciamento que o envolvia dissolveu-se completamente.
— Irmão.
A sensação de ter um irmão mais velho era realmente maravilhosa.
— O que você faz aqui?
Desde o primeiro encontro, Cássio havia deixado Rio Belo para voltar a Alvorada. Eles não se viram pessoalmente depois disso, embora mantivessem contato frequente. Ele agia exatamente como um irmão protetor: perguntava se ela estava se alimentando bem, como andava o trabalho e se a saúde estava em dia. Às vezes, parecia até um pouco repetitivo. Mas no coração de Naiara, aquilo era doce como mel. Ninguém sabia o quanto ela ansiava por aquele carinho e preocupação familiar.
Cássio tirou os óculos escuros, revelando um sorriso acolhedor.
— De agora em diante, é aqui que eu fico.
Ao ver o choque estampado no rosto de Naiara, ele ergueu a mão para bagunçar de leve o topo de sua cabeça.
— O que foi? Não acredita?
Naiara piscou, voltando a si.
— Mas a sua carreira, a sua casa... tudo está em Alvorada.
— Estar junto com a família é o que mais importa — ele respondeu, com naturalidade.
Família?
Naiara franziu o cenho.
— Como assim?
Cássio riu.
— O papai e a mamãe também vieram. Eles estão lá na casa nova, arrumando as coisas.
Naiara não conseguia acreditar. Era impossível. A vida inteira deles estava construída em Alvorada.
— A mamãe antecipou a aposentadoria dela. Disse que quer passar a velhice em Rio Belo — explicou Cássio. — E o papai já enviou um pedido de transferência para o alto comando. Daqui para a frente, ele vai passar a maior parte do tempo aqui também. Quanto a mim... acho que vou ter que viver às custas da minha irmãzinha rica.
Naiara não sabia se ria ou se chorava. Os olhos já estavam marejados.
— Por que vocês estão fazendo isso?
— Eu já disse. Estar junto com a família é o que importa.
Naiara fungou, sentindo o nariz arder.
— Eu quero ir ver o papai e... a tia Heloísa.
— É o nosso primeiro encontro, eu nem comprei um presente para ela. Podemos passar num shopping rapidinho? Você me ajuda a escolher.
Cássio riu, encantado com o cuidado dela.
— Não precisa. Somos família, ninguém liga para presentes.
Naiara inclinou a cabeça, os olhos brilhando de forma astuta.
— Mas quando você veio me visitar da última vez, trouxe um presente da tia Heloísa. Isso quer dizer que ela não me considerava da família na época?
Cássio foi pego de surpresa e acabou rindo alto, um sorriso cheio de mimo.
— Certo, certo. Você venceu. Põe o shopping no GPS.
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Enseada do Lago.
Um apartamento linear de alto padrão de quase duzentos metros quadrados de frente para o lago, ventilado e com uma vista deslumbrante. Naiara achou que o lugar era alugado, considerando o quão recente era a decisão de se mudarem.
Mas Cássio esclareceu: o imóvel havia sido comprado.
No minuto em que decidiram que viriam para Rio Belo, eles começaram a preparar o terreno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...