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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1234

Naiara falou com um tom frio e contido.

— O Pedro me disse antes que você não estava muito bem aqui. Mas, pelo visto, você conseguiu se ajustar.

Luciana ajeitou o cabelo. Antes, ela ostentava longos fios escuros, sempre impecavelmente arrumados. Agora, tinha um corte curto, com vários fios brancos aparentes. Mas ela não parecia se importar com a vaidade.

— Neste lugar, onde não há liberdade, até as coisas mais difíceis de aceitar acabam fazendo sentido. — Ela sorriu amargamente. — O que tortura mais do que a prisão em si... é passar cada dia engolida pelo arrependimento. Me perdoe.

O sorriso de Luciana era frágil, quase imperceptível.

— Estou dizendo isso do fundo do meu coração. Sinto muito pelo que fiz a você e à sua mãe. Se eu pudesse, se tivesse a chance, eu gostaria de compensá-la. Queria retribuir, aos poucos, o amor e o cuidado que nunca te dei.

Naiara curvou levemente os lábios, a expressão ilegível.

— Não é necessário. Já tem alguém me compensando. Além disso, o Pedro já faz o suficiente.

Nos olhos de Luciana, brilhou um lampejo de afeição genuína que era raro de se ver.

— Aquele menino... ele está tão diferente agora. Está maduro, sensato. Eu devo isso a você. Foi porque você não guardou rancor que o Pedro pôde se tornar um homem tão bom. Sempre que ele vem me visitar, fala de você. Ele a admira e gosta muito de você. Não admite que eu diga uma única palavra torta ao seu respeito, ou briga comigo na mesma hora. — Ela soltou uma risada fraca. — Às vezes parece que eu criei um filho para outra pessoa, mas no fundo, sinto um alívio enorme.

Luciana abaixou a cabeça, o olhar sombrio.

— Pelo menos... ele não seguiu o caminho torto que eu segui.

Naiara estava, de fato, bastante satisfeita com a postura atual do meio-irmão.

Desde que se reencontraram, não importava o quão ocupado estivesse, Magnus ia visitá-la com frequência. Pai e filha se sentavam para conversar, tentando recuperar os mais de vinte anos perdidos, compartilhando o que havia acontecido em suas vidas. Claro, também brigavam de vez em quando. Como militar, a forma de Magnus se comunicar às vezes era dura e implacável. E ela era teimosa por natureza. Mas quem sempre acabava cedendo era ele. Aquele homem rígido, que não se dobrava diante de ninguém e era estrito até com o próprio filho, reservava toda a sua doçura para ela.

Naiara sabia que ele estava tentando compensar. E que carregava culpa. Por isso, ela não se importava mais. Não se importava com os anos em que ele esteve ausente, nem com tudo o que ela tivera de suportar. Talvez todo aquele sofrimento tivesse sido o preço pago pela felicidade de hoje.

Luciana levou um longo tempo para processar a informação.

— Ele... ele ainda está vivo?

— Sim, está vivo. E muito bem de vida. Ele agora é o Chefe do Estado-Maior da região sul.

Luciana congelou. O pai biológico de Naiara era um General de altíssima patente? Meu Deus. Que tipo de figura poderosa ela havia ofendido no passado?

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