O lembrete era cristalino: *Por trás dos Xavier, há o governo federal. Há os militares. Há o Estado.*
Aviso dado para que medissem muito bem o peso das palavras que usariam nas reportagens se não quisessem arranjar problemas com o alto escalão.
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O caos terminou com a mesma rapidez com que começou.
Quando as equipes de televisão finalmente foram embora, Naiara se viu sozinha na rua batida pelo vento cortante. Exausta até a alma.
Apenas então percebeu que ainda segurava a mão gasta da velhinha.
A idosa permaneceu quieta desde o momento em que a tiraram do chão.
Naiara olhou para ela com um sorriso gentil. — Vovó, cada palavra que eu disse lá na frente é a mais pura verdade e um juramento assinado. Então não precisa mais chorar, combinado? Tanta angústia pode prejudicar sua saúde.
— Fique tranquila, a senhora será recompensada adequadamente. Eu sei que nada no mundo vai trazer o seu filho de volta, mas a senhora ganhou a mim. Enquanto o Grupo Xavier estiver de pé, eu pessoalmente garantirei que a senhora não passe necessidade alguma no fim da vida.
— Porém... a senhora me deixaria te fazer uma perguntinha rápida antes de ir?
A velha franziu o rosto: — Diga, minha filha.
Naiara foi ao ponto: — Alguém te mandou vir aqui fazer esse escândalo, não foi?
Curiosamente, a idosa não se deu ao trabalho de esconder ou mentir.
— Foi um moço... ele me disse no telefone que se eu não viesse gritar na porta da empresa de vocês até chamar a atenção de todo mundo, eu nunca ia ver a cor do dinheiro do meu menino.
— Ele falou que os ricões aproveitam a fragilidade dos mais pobres e passam por cima de velhas inúteis como eu. Ele garantiu que eu só ia receber a indenização se o caso ficasse famoso no jornal.
— Moça, eu te juro, eu odeio escândalo. Mas eu fiquei sem saída. Meu menino era a minha única família, a minha nora já morreu, e eu tenho uma netinha pra botar comida no prato. Se vocês se negassem a pagar, a gente não ia ter como sobreviver.
Naiara apertou as mãos dela e as aqueceu.
— Vovó, mesmo se a senhora ficasse na sua casa, descansando, o nosso dinheiro ia chegar até vocês de qualquer forma. A pessoa que mandou a senhora vir aqui só queria usar o luto da sua família para prejudicar a nossa empresa. A senhora foi enganada.
A velha desmoronou em arrependimento puro, completamente ignorante da guerra cruel do mundo dos negócios.
— Eu... eu não fazia ideia, moça. Você me perdoa?
Naiara secou o rosto da senhora: — Vovó, a senhora se lembra da aparência do homem que mandou a senhora vir aqui fazer barulho?
A idosa balançou a cabeça. — Eu nem sei que cara ele tem. Ele falou comigo pelo celular.
O olhar de Naiara reluziu.
Ele tinha o celular pessoal da mãe do motorista?
Aquilo soava descaradamente como a ação de um traidor de dentro da empresa.
Afinal, a ficha dos funcionários mantida pelo departamento de recursos humanos tinha o telefone de contato dos familiares em caso de emergência.
Naiara estendeu a mão. — Vovó, a senhora ainda tem o número da chamada registrado aí?
A senhora tirou do bolso um celular antiquado, de teclas grandonas.
— Olá, tio Bernardo.
Um silêncio sepulcral de cinco segundos, e a ligação foi cortada na cara dela.
*Ha.*
Afonso não estava exagerando nem um pouco.
O tiozinho arrogante deles realmente era uma dor de cabeça constante.
Porém, ele era só isso. Uma dor de cabeça. Porque a inteligência limitadíssima que ele possuía jamais permitiria que causasse um desastre formidável de verdade.
Depois de organizar o retorno seguro da senhora, Naiara foi direto para a Mansão Xavier.
Assim que botou os pés dentro de casa, ela nem sequer passou no quarto do bebê Bento, apenas marchou acelerada em direção ao escritório no segundo andar.
Como Henrique havia detalhado, o cofre de aço chumbado estava lá.
Ela digitou o aniversário de Afonso no visor eletrônico e a pesada porta se abriu com um estalo mudo.
Dentro do compartimento escuro, estavam guardadas várias escrituras de imóveis valiosíssimos, além de uma pilha de contratos vitais para o Grupo.
Debaixo de todos aqueles papéis burocráticos e fortunas, repousava o caderno.
Naiara trancou o cofre novamente de maneira cirúrgica e certificou-se duas vezes de que não deixara nenhum rastro.
Mas, focada no que importava, não abriu o caderno imediatamente. Ela não tinha ideia dos segredos guardados naquelas páginas antigas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...