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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 537

Dona Sampaio não suportou a atitude desdenhosa de Hortência.

Avançou e começou a brigar feio com ela. Caio teve que pedir aos outros policiais que as separassem:

— O que estão fazendo? Aqui é uma delegacia, não a feira. Comportem-se!

Os cúmplices de Hortência já haviam confessado. Todos eles afirmaram ter sido ameaçados e coagidos por ela a assassinar o próprio marido.

O caso antigo exigiria uma investigação mais detalhada. A questão iminente era resolver o sequestro de Sérgio.

Glaucia e os outros também foram chamados para prestar depoimento.

Como Sérgio e Sófia eram pequenos, Glaucia e Dália acompanharam as entrevistas do início ao fim.

Sófia ainda estava muito abalada e chorava sem parar. Sérgio, por outro lado, estava muito mais calmo. Embora seu pequeno rosto estivesse pálido, ele se manteve firme e com a coluna reta.

Glaucia se curvou e disse:

— Sérgio, como você e a Eulália foram embora hoje? Tudo que eles fizeram precisa ser detalhado ao policial, entendeu?

Sérgio balançou a cabeça em concordância. Ao abrir a boca, ele se mostrou muito articulado:

— A Sófia e eu estávamos esperando a tia Dália do lado de fora quando a Eulália veio até nós. Ela disse que minha mãe estava falando com a mãe dela em outro lugar e que o tio Tadeu também estava lá. Ela falou que a mamãe queria que eu fosse. Me desculpe, mamãe, e tia Dália. Tudo foi minha culpa. Eu fiquei com medo de que o tio Tadeu fizesse mal para a mamãe e escutei o que a Eulália falou... Eu acabei envolvendo a Sófia.

Eulália estava habituada a ajudar Hortência com as maldades; era natural que fizesse tudo isso com muita facilidade.

Além do fato de Sérgio a conhecer, ela havia usado Glaucia como pretexto. Nessa situação, seria esperado que Sérgio caísse na armadilha.

Sérgio abaixou a cabeça, sentindo-se muito culpado. Ele olhou de canto para Sófia e, de repente, assegurou a Dália:

— Tia Dália, eu prometo... de hoje em diante tomarei mais cuidado. Eu vou proteger a Sófia e garantir sua segurança. Por favor, deixe a Sófia brincar comigo...

Sófia parou de chorar naquele momento e, percebendo a seriedade e o zelo de Sérgio por ela, segurou as mãos da mãe:

— Mamãe, eu quero brincar com o Sérgio. Eu não o culpo.

Notando a união forte entre as crianças, apesar de ainda estar apreensiva, Dália expressou um leve sorriso. Ela bateu de leve nos ombros de Sérgio e disse:

— Querido, não se preocupe. A tia sabe o quanto você toma conta da Sófia, e não o culpo. Eu nunca proibiria vocês dois de serem amigos.

Sérgio suspirou profundamente em alívio:

— Tia Dália, prometo proteger a Sófia sempre, de verdade.

Quando eles terminaram os depoimentos, Eulália precisou ir para interrogatório. Ela ficou encostada na porta, encarando Sófia com ferocidade nos olhos.

Glaucia não adicionou nenhuma observação; só abriu o caminho e cedeu o espaço a ele.

A revolta frenética de Eulália parecia desbotar perante a serenidade de Sérgio.

Reconquistando forças, Eulália repetiu as perguntas numa tonalidade mais áspera:

— Por quê?! Sérgio, eu sempre te enalteci para ter a sua amizade! Por que você não gosta de mim?!

Sérgio refutou severamente:

— Primeiro, eu não sou nenhum Sérgio Pires. Meu sobrenome é Marques! Segundo, a Sófia nunca foi, e nem será, feia ou uma aberração. Ela é a minha melhor amizade e, em meu coração, tem cem vezes mais beleza do que você. Se eu ouvir você ofendê-la com essas declarações insanas de novo, serei o seu terror! E terceiro: seu choro falso é chato demais!

As declarações rígidas ignoraram totalmente o conforto para os sentimentos de Eulália.

Eulália tremia furiosamente, estupefata. Sérgio voltou para o lado de Glaucia e segurou a mão dela:

— Mamãe, vamos.

Sófia ouviu a repreensão perfeitamente e, apesar de não reconhecer o temperamento severo de Sérgio, sentiu-se muito amparada. A atitude do amigo dissipou todos os seus temores e abriu seu coração.

Ela operou cirurgias para as lesões faciais, sobrando cicatrizes irrelevantes embaixo de suas orelhas. Ela não dissera, mas as cicatrizes a incomodavam demais; então sempre adotara penteados desgrenhados e frouxos que mantinham as orelhas ocultas.

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