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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 526

— Está bem, mãe, eu prometo. Sempre que bater a saudade, eu faço uma chamada de vídeo para a senhora.

Diante do cenário atual, a única estratégia viável era ganhar tempo.

Glaucia sabia que aquela mentira não se sustentaria para sempre, mas no momento, ela não tinha escolha.

A ligação que deixou todos à beira de um colapso nervoso finalmente foi encerrada. Benito soltou um longo suspiro de alívio e logo perguntou a Glaucia:

— Glaucia, você falou com o Dr. César de novo? Não existe mesmo outra alternativa?

— Um ano é tempo demais. Eu vi que sua mãe está muito magra, a fisionomia dela está péssima. Eu...

— Pai, todos nós queremos que o senhor se recupere o mais rápido possível. Se houvesse qualquer outra alternativa, o Dr. César jamais esconderia de nós.

— Sua única prioridade agora é focar na sua reabilitação. Pare de gastar energia com preocupações externas.

— Quanto mais rápido o senhor colaborar com o tratamento, mais cedo verá a minha mãe. Isso é lógico, não é? — retrucou Glaucia, com seu tom prático e direto.

Benito finalmente cedeu.

Glaucia ordenou que ele descansasse e, em seguida, saiu do quarto acompanhada pelos outros.

Palmira tinha ido ao hospital naquele dia apenas para visitar César. Vendo que a situação de Glaucia estava sob controle, ela se despediu.

No corredor estranhamente silencioso, Clarinda falou:

— Glaucia, eu também preciso voltar para a Capital. Vou fazer visitas frequentes à Dona Isaura.

— Se surgir qualquer problema por aqui, me ligue imediatamente. Não hesite em me incomodar.

— E mais uma coisa: o tio Alexandre pediu para te avisar que a sua dedução foi cirúrgica. Eles foram até a vila de pescadores e confirmaram que o Tadeu e os outros estiveram por lá.

— A polícia já está seguindo a rota de fuga. Eles não vão demorar a ser pegos. Você não precisa mais ficar paranoica.

— Que bom que a informação foi útil. O Tadeu já perdeu completamente qualquer traço de humanidade. Espero que apodreça na cadeia o mais rápido possível — concluiu Glaucia, impiedosa.

...

Nesse exato momento, numa ilha remota e isolada.

O ar estava impregnado com o cheiro salgado e pungente do mar.

Tadeu e suas duas acompanhantes estavam encolhidos numa cabana caindo aos pedaços. As roupas deles escorriam água, como se tivessem acabado de ser pescados do oceano.

Quando percebeu que a casa ia cair, Tadeu desviou todo o dinheiro vivo da empresa para uma conta offshore no exterior, carregando consigo apenas uma quantia limitada em espécie.

Os moradores da ilha, ingênuos e pacatos, engoliram a história sem pestanejar. Uma senhora mais caridosa até lhes trouxe uns pães caseiros recém-assados.

Ate o problema de alimentação imediata estava resolvido.

Para Tadeu, restava apenas encontrar a oportunidade certa de ir até o porto. Sobreviver a tudo isso deveria ser motivo de celebração, mas as reclamações incessantes de Hortência estavam estragando o momento.

Desde que colocaram os pés naquele casebre nojento, a boca de Hortência não parou um segundo.

— Como é que existe um fim de mundo tão caindo aos pedaços assim? É pior que a roça de onde eu vim. Tadeu, a gente vai mesmo passar a noite aqui?

— A gente não tem dinheiro? Vamos procurar um lugar decente. Se não der, a gente aluga uma casa melhor.

— Isso aqui tá cheio de inseto, e o vento não para de entrar! Como alguém pode dormir nisso?

— E olha pra essa comida! Isso aqui não é comida de gente, não.

— Tadeu, você não prometeu que eu ia ter vida de madame do seu lado? A minha vida de empregada era melhor do que essa miséria!

— A gente vai viver se escondendo feito rato pro resto da vida, é?

Esse chorume de vitimismo manipulador não parava, fazendo a cabeça de Tadeu latejar de ódio.

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