No vídeo, Vinicius confessava sem reservas todos os seus crimes.
Ele dizia: — Olhando para trás, a minha vida foi bem extravagante. Tráfico, sequestros, experimentação humana... sim, eu fiz tudo isso. Mas de todas essas coisas, acho que a mais interessante foi quando nós e alguns parceiros transformamos um policial em nosso brinquedinho de estimação.
— Ah, essa história vale a pena ser contada.
— Se bem me lembro, era um agente da narcóticos. Ele ficou infiltrado nas nossas operações por um longo tempo, sem saber que já tínhamos descoberto a sua identidade. Mais tarde, na fronteira com Mianmar, nós o apagamos. Contatamos um magnata chamado Yan e, por meio de seus canais, o trouxemos de volta ao país.
— Ele era um agente antidrogas. Ele odiava as drogas mais do que qualquer coisa, mas nós o transformamos em nosso experimento. Irônico, não acham? Senhor policial.
— Se a memória não me falha, o nome dele é Benito Mota.
— Vocês passaram anos me procurando, e eu estive bem debaixo do nariz de vocês esse tempo todo.
— Vocês querem saber o paradeiro desse colega de vocês? Eu posso revelar: ele ainda não morreu. Quanto ao local exato onde ele está agora... bem, para isso vocês terão que perguntar ao meu querido assistente, Tadeu.
As palavras arrogantes e afiadas de Vinicius evidenciavam um total desprezo pela lei.
Ao ouvir o depoimento, a população ferveu de indignação. A seção de comentários foi inundada por milhares de pessoas exigindo a pena de morte.
A organização criminosa estava envolvida em casos demais e a comoção nacional já era gigantesca. A polícia optou por não ocultar as declarações, talvez como um alerta à sociedade.
A entrevista de Vinicius viralizou instantaneamente.
Glaucia estava no quarto do hospital com Isaura quando viu a notícia. E, para o seu terror, Isaura também assistia à televisão.
A declaração de Vinicius as pegou de surpresa, apunhalando diretamente o coração de Isaura.
Todas as justificativas e autoenganos que Isaura construíra ao longo da última década desmoronaram em um instante.
Ela agarrou o pulso de Glaucia com uma força sobre-humana, os olhos arregalados: — Glaucia... o seu pai. Ele está falando do seu pai! O seu pai está vivo!
Glaucia estava igualmente em choque, incapaz de processar a informação por vários segundos.
Seu pai estava vivo. Era por isso que ela havia rezado todos os dias durante anos.
Glaucia não tinha ideia do estado em que o seu pai estaria. Ela precisava avaliar a situação pessoalmente antes de expor Isaura. Se o estado dele fosse deplorável, o choque poderia agravar a doença da mãe, o que seria catastrófico.
Glaucia argumentou com sua lógica afiada: — Mãe, me escute. Quando o pai voltar, ele com certeza precisará de cuidados. A sua recuperação é a prioridade número um agora. Eu sou a sua filha, a senhora não confia em mim? Agora que sabemos onde ele pode estar, farei de tudo para trazê-lo de volta.
— Mas...
— A senhora realmente quer se reencontrar com ele depois de todos esses anos e deixá-lo vê-la tão frágil e doente? Acalme-se. Descanse. Quando a sua cor voltar, a senhora o verá, está bem? Se ainda estiver preocupada, eu farei uma chamada de vídeo assim que encontrá-lo.
Após muita insistência metódica de Glaucia, Isaura finalmente cedeu, ainda suplicando: — Glaucia... por favor, você tem que trazê-lo de volta. Espere, você cresceu tanto, ele pode não te reconhecer de imediato. Leve isto. É a nossa aliança de casamento. Ele com certeza a reconhecerá.
Sem notícias de Benito por tanto tempo, Isaura estava em um estado de alerta constante, vendo perigo em cada canto.
Glaucia apertou a aliança, ainda quente pelo toque da mãe. Encarando os olhos suplicantes de Isaura, ela não recusou e guardou a joia cuidadosamente em sua bolsa.
Isaura a apressou com urgência: — Vá logo, Glaucia. Traga-o de volta o mais rápido possível.

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