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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 486

Foi apenas ao chegarem à mansão principal que Glaucia e os demais compreenderam o motivo da postura tão solene do Velho Senhor.

Na sala da propriedade, além de Hélder e sua esposa, havia um advogado. Sobre a mesa de madeira maciça repousavam dois acordos de transferência de ações societárias.

Diante daquela cena, Glaucia deduziu imediatamente o que estava acontecendo.

Como esperado, o Velho Senhor pigarreou levemente e dirigiu-se a Ícaro: — Ícaro, se chamei você de volta hoje, foi por um desejo dos seus pais. Eles querem transferir todas as ações que possuem para o seu nome. O avô sabe que você tem seus próprios negócios e não quer assumir a empresa da família Marques. Isso é um detalhe menor. Se você aceitar, seu pai continuará no cargo até que você decida assumir, ou até que Sérgio cresça e o substitua. Fora a mudança acionária, nada mudará na sua rotina. O que me diz?

Tatiana permaneceu em silêncio. Seus olhos fitavam Ícaro com fervor, carregando uma ansiedade palpável. Ela sabia que Ícaro não queria vê-la. Por isso, evitara procurá-lo nos últimos dias, trabalhando em silêncio na preparação daqueles documentos.

Ícaro ignorou completamente o olhar desesperado de Tatiana e respondeu com rispidez: — Vocês não vão parar com isso? Já repeti inúmeras vezes: não preciso da compensação de vocês. Nossa relação terminou aqui. Podem pegar isso de volta. De agora em diante, a não ser que seja absolutamente necessário, cada um segue o seu caminho.

— Eu... — O rosto de Tatiana foi tomado pela frustração. Seus lábios tremeram, sem saber o que dizer.

Hélder interveio, assumindo a palavra: — Ícaro, eu já mandei redigir os contratos. Se não quiser ver como uma compensação, aceite pelo menos como um agradecimento por ter salvo e trazido sua mãe de volta. Pode ser?

— Não preciso — a atitude de Ícaro continuava inflexível, sem ceder um milímetro.

— Ícaro, você nos odeia tanto assim? Ao ponto de rejeitar até o que queremos lhe dar? — Tatiana levou a mão ao peito, olhando para o filho com uma expressão profundamente ferida e injustiçada.

Ícaro desviou o olhar diretamente para o mordomo, mudando de assunto de forma abrupta e fria: — Não nos chamaram para almoçar? A comida está pronta? O Sérgio já estava com fome desde o hospital.

Há feridas que nenhuma compensação é capaz de apagar. Mesmo que Ícaro já não fizesse questão de culpar Tatiana, ele sabia perfeitamente que era incapaz de manter qualquer intimidade com ela. Então, o melhor era simplesmente cortar o contato.

— Claro, claro, Senhor Ícaro, aguarde um instante. Mandarei servirem os pratos agora mesmo — respondeu o mordomo, que, após receber um olhar de consentimento do Velho Senhor, apressou-se em orientar os criados.

A porta se fechou. Lá dentro, além de Glaucia e do Velho Senhor, estavam o advogado e o mordomo. Os acordos de transferência, antes na sala de estar, agora repousavam sobre a mesa do escritório.

— Vovô, há algum motivo específico para o senhor me chamar aqui em particular? — Glaucia apenas lançou um olhar rápido aos documentos e desviou a atenção.

— Glaucia, sente-se primeiro. Vamos ter uma conversa entre avô e neta — disse o Velho Senhor.

O mordomo puxou uma cadeira e serviu-lhe uma xícara de chá quente. Sendo um convite do patriarca, Glaucia não pôde recusar. Sentou-se de frente para ele e ouviu a pergunta:

— Glaucia, o que você achou do que aconteceu hoje?

Glaucia manteve a postura impecável e respondeu com frieza profissional: — Vovô, se me chamou aqui com a intenção de que eu convença o Ícaro a ceder, esqueça. Eu prometi a ele no hospital que apoiaria incondicionalmente todas as suas decisões. Além disso, compartilho da opinião de que a negligência e os danos que a tia Tatiana causou ao Ícaro no passado não podem ser reparados com ações corporativas. Portanto, jamais pedirei a ele que recue por causa disso.

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