Entrar Via

Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 436

Mas se naquela noite ela estava inconsciente... Ícaro também estava? Ele também não se lembrava de nada? Por que deixou passar tanto tempo sem lhe dizer a verdade?

E com qual mentalidade ele permaneceu ao seu lado todos esses anos?

Com a verdade exposta, a única coisa que Glaucia sentia era o peso de uma fraude colossal.

— Responde, Glaucia! O que realmente aconteceu entre você e ele? — insistiu Isaura, desesperada. Pela frieza no olhar da filha, ela percebia a gravidade da situação.

— Eu não sei — respondeu Glaucia, a voz plana e sem oscilações.

Antes, ela tinha certeza absoluta da sinceridade de Ícaro. Agora, já não sabia se aquele afeto vinha misturado com segundas intenções. Talvez ele realmente a amasse, mas esse amor não era tão imaculado quanto ela pensava.

— Como não sabe, menina? É a sua própria vida!

— Você sempre foi tão inteligente, tão no controle das coisas!

— O que aconteceu com você nesses últimos anos? Como deixou a sua vida chegar a esse ponto?

— Primeiro foi manipulada por aqueles lixos da família Pires, e agora não sabe nem a origem do próprio filho. Glaucia, o que deu em você? — As palavras de Isaura desabavam como pedras, empilhando uma pressão esmagadora sobre Glaucia.

Sim, como a vida dela havia chegado àquele ponto?

Glaucia também queria saber.

Talvez tudo estivesse errado desde o começo.

Desde o momento em que, na urgência de conseguir dinheiro e sob os testes constantes de Tadeu, ela aceitou se casar com ele. Foi um erro.

Ela não havia mantido seus princípios, e aquilo era o preço que estava pagando.

Sérgio olhou para Glaucia, depois para Isaura, e pediu, com a voz baixinha:

— Vovó, a mamãe não está bem. Não briga com ela, por favor.

Isaura estava histérica.

Mas, acima de tudo, aterrorizada.

Ela passou a vida inteira pisando em ovos. Tinha pavor de ver a filha ser enganada e descartada novamente, pavor de que os insultos cruéis da internet voltassem a assombrá-las.

Sem conseguir se controlar, Isaura voltou a atacar:

— Você está cada vez mais teimosa! Eu não te disse? Disse para vivermos uma vida tranquila, longe dessa elite! Mas você não ouve, tem que quebrar a cara primeiro para aprender. O que eu faço com você?

— Você... Glaucia! Como pode ser tão burra? Quer se humilhar ainda mais? Eu desisto de você! — Isaura levou a mão ao peito, a respiração falhando.

Ela nunca imaginou que a filha, tão lógica no trabalho, fosse tão obstinada em questões amorosas, disposta a caminhar rumo ao precipício por uma convicção cega.

— Se não liga para si mesma, pense no Sérgio! Quer que ele seja motivo de chacota por causa desse seu "romance"? — disparou Isaura.

Glaucia rebateu:

— Exatamente pelo Sérgio é que eu preciso descobrir quais são as reais intenções dele. Apenas com todos os dados na mesa eu decidirei se continuo ou não.

— Você... você... — Isaura gaguejou, o ar faltando. Sua visão escureceu e ela desabou no sofá, desmaiada.

O choque tirou Glaucia de seu estado analítico. Com as mãos trêmulas, pegou o celular para ligar para a emergência, enquanto mandava Sérgio pegar suas coisas e ficar perto.

Tudo aconteceu rápido demais, sem margem para reação.

Desde a exposição da origem de Sérgio até o colapso de sua mãe, Glaucia não teve um único segundo de silêncio para formular uma estratégia.

Sem os funcionários em casa, ela estava completamente sozinha. E, para ir ao hospital, teria que arrastar Sérgio consigo.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha