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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 240

Mesmo sabendo que tudo aquilo desapareceria.

Mas, a cena que ele esperava não aconteceu.

O casaco pousou de fato sobre os ombros de "Valentina".

Seu casaco, real, sobre o corpo dela.

Cícero sentiu como se sua respiração tivesse sido cortada, sugada por uma sanguessuga.

Ele parou.

Apesar de saber claramente que tudo era falso, uma fantasia sua.

A mão de Cícero que usava o anel se contraiu incontrolavelmente.

Ele ergueu a mão, tentando tocá-la, segurando seu queixo e erguendo seu rosto.

As mechas de cabelo de Valentina caíram naturalmente em ambos os lados, e seus olhos úmidos e brilhantes o encaravam em silêncio.

Ainda estava ali.

Ela ainda estava ali.

Ele realmente havia erguido o rosto dela.

A pele de seu queixo era macia como tofu, e mais abaixo, seu pescoço.

O pescoço. Quando Cícero se ajoelhava diante dela para fazer aquilo, ela ofegava, engolia em seco, emitia sons que mal conseguia controlar.

Tudo vinha daqui.

A ponta de seu dedo pressionou aquela área.

Ele se lembrava dela usando aquele lugar para chamá-lo de Cícero, para chamá-lo de Cícero.

E o chamou por mais de dez anos.

Antes, aquele lugar só pronunciava o nome dele.

A respiração de Cícero era baixa, seus olhos escuros e profundos enquanto a observava, o corpo ainda confirmando ansiosamente os sintomas de sua doença.

Ela o olhava, seus olhos fixos nele, como uma boneca, límpida, pura e serena.

O corpo de Cícero reagiu de forma incontrolável.

Uma maré de emoções se entrelaçou.

Ele baixou o olhar.

Lembrou-se da cena que viu no guarda-roupa em Londres, e todo o sangue de seu corpo ferveu, correndo em uma única direção.

A mão que segurava seu queixo começou a tremer levemente.

— Você não disse que queria me fazer sofrer?

Seus nervos pulsavam.

Ele se ajoelhou lentamente, ajoelhou-se diante dela.

Seu corpo alto se curvou, ajustando-se perfeitamente ao corpo dela, que vestia apenas uma blusa larga.

Sua respiração era quente e contida.

Ele pegou a mão dela e a pressionou contra a ferida em seu próprio braço.

— Você nem me viu sofrer, como pôde ir embora?

A dor aguda e clara o estimulava.

Sua respiração roçava o pescoço dela, úmida, caótica.

Apoiando-se no sofá, ele se levantou.

A cena diante dele já estava clara.

Não precisava mais de velas, o dia já havia amanhecido.

Não havia ninguém à sua frente.

Aquele casaco ainda estava caído no chão.

Em uma única noite, Cícero sentiu como se tivesse morrido uma vez.

Ele saiu do hotel.

A brisa, a brisa do Quênia.

Ele recuperou sua fachada de calma, o rosto inexpressivo, escondendo todas as suas emoções e seu estado deplorável.

Até que chegou àquela pequena cidade queniana.

E viu aquela figura familiar e estranha passar rapidamente.

Ela usava um boné de beisebol branco, camiseta branca, jeans, com uma câmera pendurada no pescoço.

Seu rabo de cavalo alto balançava com a brisa.

Ela estava parada em uma barraca que vendia pulseiras, com uma pulseira de contas de vidro no pulso.

Não se parecia muito com ela.

Mas se parecia muito com a Valentina de antes.

Muito parecida com a Valentina de dezoito anos, ou com a Valentina que veio ao Quênia com ele no passado.

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