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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 236

No entanto, naquela mesma noite, Cícero mandou Hugo comprar uma passagem para o Quênia.

Hugo não entendeu o motivo e também se preocupou com sua saúde.

— Senhor, você realmente não deveria viajar agora. Se o senhor realmente acha que a senhorita está no Quênia, posso enviar alguém para procurar…

Cícero estava sentado perto da janela, completamente envolto na escuridão.

Hugo notou novamente que a mão de Cícero ainda tremia, enquanto ele esfregava ansiosamente o anel, a ponta do dedo já vermelha e quase ferida.

As palavras restantes de Hugo morreram em sua boca.

Cícero não queria parar.

Ele não conseguia parar.

Com Valentina longe, a dor excruciante era cem vezes mais caótica do que quando ela estava presente.

Ao fechar os olhos, tudo o que via era ela, inúmeras imagens dela, fragmentos infinitos…

Cícero não tinha vontade de fazer nada.

Ele não confiava em ninguém, nem em nenhuma palavra.

Como ele próprio era um mentiroso, não acreditava no que ninguém lhe dizia.

Para ter certeza, só podia confiar em seus próprios olhos.

Cícero recebeu alta do hospital no mesmo dia.

A médica negra estava novamente na porta do quarto, com os braços cruzados.

— Então não era impressão minha. Você realmente aparece muito por aqui. É por causa dela.

Cícero permaneceu impassível e tirou um cigarro do maço.

A médica quase pensou que ele não entendia inglês, então fez um "X" com as mãos, em vez de usar frases longas.

— NÃO!

Não se podia fumar ali.

A expressão de Cícero era calma e silenciosa.

— É por isso que pretendo sair para fumar.

Ele usou o português, que a médica não entendia.

Ela apenas continuou a resmungar em inglês:

— Você deve estar me xingando. A Valentina costumava usar o português para xingar aquele outro médico. Ela dizia um palavrão bem vulgar, algo como "idiota do caralho".

Cícero ergueu as pálpebras, ignorou-a e saiu do hospital.

Hugo cuidou da papelada da alta.

Vestido com um sobretudo marrom escuro, Cícero ainda tinha o olho direito coberto por um curativo.

Ele acendeu o cigarro, e a fumaça fria se dissipou no ar em segundos.

Quando ele partiu, começou a nevar em Londres.

O avião decolou.

Cícero sentou-se na classe executiva.

Devido à alta pressão ocular, seu olho direito latejava dolorosamente.

Quênia.

Era um lugar onde eles tinham memórias juntos.

E disse:

— Cícero, vamos libertar um ao outro.

Há muito tempo Cícero não era olhado por ela daquela maneira.

Enquanto sentia a dor se espalhar, ele observava a alucinação se tornar turva e sorriu com um leve sarcasmo.

A criação de sua mente não podia nem mesmo obedecer à sua vontade?

— Foi você quem disse.

— Você disse que ficaríamos bem, que passaríamos a vida inteira juntos, que seríamos felizes para sempre.

Valentina ainda queria dizer algo.

Cícero já havia virado o rosto, interrompendo a alucinação antes que ela dissesse algo que ele não queria ouvir.

Parecia que o silêncio havia retornado.

Cícero sentia que a pessoa ao seu lado ainda estava ali, tão real que parecia ser verdadeiramente Valentina.

Ele piscou em silêncio, ergueu a mão e cobriu-a com o cobertor ao seu lado, cobrindo seu corpo macio que vestia apenas uma blusa de manga curta.

Mas, no instante seguinte.

O cobertor em sua mão caiu, atravessando o ar imaterial e pousando no assento vazio da classe executiva, antes de escorregar para o chão.

A figura que parecia tão real e que surgira há pouco, desapareceu.

O que restou foi apenas o espasmo em sua pálpebra e a dor latejante em sua órbita ocular.

Cícero olhou para o espaço vazio.

Assim como ela parecia tê-lo olhado, ele encarou o nada por um longo tempo.

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