Quando o avião pousou na cidade de conexão, vindo de Londres, uma forte ventania causou o atraso do voo.
Cícero foi forçado a permanecer temporariamente naquela cidade.
Da madrugada até a manhã.
O voo finalmente deu sinais de que iria decolar.
Hugo, com dois cafés na mão, acabara de subir para a sala de espera do segundo andar quando parou, diminuindo o passo.
No lounge da classe executiva, muitos profissionais de elite estavam ocupados.
Apenas Cícero era completamente diferente.
Diferente do Sr. Cícero decidido e eficiente de suas memórias.
Ele estava sentado sozinho em um sofá perto da janela, com as mãos entrelaçadas, em silêncio, os olhos baixos.
…
O homem pegou o café à sua frente, tomou um gole e o colocou de volta na mesa.
Segurando um livro, ele virou a página com um dedo, os olhos de Luciano fixos no conteúdo.
Sávio estava sentado à sua frente, devorando o bolinho do hotel.
*Clique.*
De perto, o som do obturador da câmera soou nítido.
Luciano ergueu levemente os olhos.
Sávio, com o canto da boca ainda sujo de creme, olhou na mesma direção e viu Valentina segurando a câmera.
Ela usava um boné de beisebol, o cabelo cacheado preso em um rabo de cavalo alto e fresco, e vestia uma camiseta branca e jeans.
Valentina, com uma maquiagem leve, espiou por trás da câmera e sorriu para eles.
Um visual confortável e revigorante.
Sávio engoliu o creme em sua boca, sem sequer reconhecer quem era.
— Quem é você, moça? Possuindo o corpo da minha mãe?
— …
Valentina se aproximou e deu-lhe um cascudo na cabeça.
Sávio esfregou a cabeça e resmungou, ofendido.
Luciano também parecia achar interessante sua nova tentativa, mas não por causa da maquiagem ou das roupas; ele estudava o cabelo dela.
Ele ergueu a mão e mexeu no rabo de cavalo alto.
— Que macio, Valentina.
— Claro que é macio, é cabelo, não arame farpado.
Durante a viagem, Valentina tirou muitas fotos.
Sua câmera portátil não parava de ser usada, registrando muitos momentos.
À noite, encontraram um lugar para revelar as fotos.
Ela e Sávio escolheram várias.
Sávio pegou várias fotos dos três juntos.
— Que tal fazermos um álbum de fotos? Para colocar na nossa casa.
— Ótima ideia. — Valentina respondeu suavemente.
Ela olhou para a pilha de fotos por um longo tempo e, no final, pegou apenas uma: a que tirou deles hoje no térreo do hotel.
A foto de Luciano segurando um livro e Sávio com um bolinho.
Depois de passar mais de meio ano no outro país, ele não cresceu apenas para os lados, mas também emagreceu e amadureceu.
Parecia que ele havia crescido em um piscar de olhos.
Valentina quase se esquecera de como se sentia quando começou a cuidar dele.
Naquela época, ela apenas pensava que Luciano a ajudara demais e que ela precisava retribuir.
Cuidar de Sávio era insignificante em comparação com a ajuda que Luciano lhe dera.
Por isso, Valentina não pensava em mais nada.
Mas, ao conviver com ele, teve que admitir que foi curada e aquecida por Sávio.
Não era que ela via Sávio como aquele outro menino.
Mas como uma criança única e especial.
Ele não era substituto de ninguém, nem pertencia a ninguém.
— Sávio, o que você quer de presente de aniversário este ano?
— Qualquer coisa. — Disse Sávio. — Qualquer coisa serve, contanto que você faça uma tigela dos seus pequenos wontons para mim.
Valentina segurou sua mão, observando-o pisar em suas sombras, e ficou em silêncio por um longo tempo.
— Certo.
— Não importa o que aconteça, no dia do seu aniversário, você comerá os wontons que eu preparei.
…
Enquanto esperava os dois voltarem, Luciano aproveitou para arrumar o quarto do hotel.
Ele olhou em silêncio para a escuridão lá fora, foi até a cama e abriu a mala.

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