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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 235

Valentina dormia até tarde no quarto.

Pela manhã, Sávio e Luciano foram tomar o café da manhã.

Luciano levou uma bandeja para cima e a deixou na mesa ao lado da cama, para o caso de Valentina acordar com fome.

Sávio ficou sentado sozinho no andar de baixo, comendo batatas fritas com peixe.

Ele não entendia o que as pessoas falavam e não tinha celular para se distrair, então ficou brincando com seu relógio.

Enquanto brincava, os olhos de Sávio se iluminaram.

De repente, ele se lembrou de algo e abriu a conversa com Tadeu.

Enviou todas as fotos que tirou nos últimos dias, sem deixar nenhuma de fora.

No final, perguntou com um ar de superioridade.

[Savinho: Tadeu, você viajou nas férias?]

[Savinho: Adivinha onde eu estou.]

Quando a mensagem chegou, Tadeu estava se despedindo daquele pote de pés de porco caramelizados.

O Velho Senhor também estava sem saber o que fazer.

Segurando o pote de comida que estava prestes a estragar, ele olhava para o pequeno senhor à sua frente, com os olhos vermelhos e quase chorando, sem ter como ajudar.

Tadeu travou uma batalha interna por um momento, depois enxugou as lágrimas e disse, como se estivesse fazendo um grande sacrifício:

— Pode levar, vovô.

O mordomo, temendo que ele mudasse de ideia, saiu correndo com suas pernas já idosas.

Tadeu realmente mudou de ideia.

Mas o mordomo já havia voltado com o pote vazio.

Tadeu sentiu um aperto no coração, querendo até mesmo olhar na lixeira lá fora.

O mordomo o deteve rapidamente:

— Haverá mais, pequeno senhor, haverá mais. Se quiser, posso entrar em contato para que a senhora prepare outro pote para você.

Tadeu ergueu a cabeça, depois a abaixou novamente.

— Deixa pra lá, não vamos incomodar a mamãe.

Sua mãe era médica e muito ocupada.

Tadeu subiu as escadas sozinho e viu seu relógio-telefone, que estava carregando, emitir um som estrondoso, como um radar.

Ele parou, pensando que o relógio ia explodir, e recuou, cobrindo os ouvidos.

O relógio tocou por um tempo e finalmente parou.

Tadeu, confuso, aproximou-se com cautela.

Viu mais de 99 mensagens de Sávio.

Tadeu ficou em silêncio por um momento, abriu a conversa e seu olhar foi atraído por uma figura na foto.

Era... sua mãe.

Mas não parecia exatamente sua mãe.

Não a mãe gentil e suave que conhecia.

Ela usava um lindo vestido longo, montava um cavalo marrom, segurava a aba de um chapéu de palha e sorria de forma radiante e brilhante.

Tadeu piscou lentamente.

Sentiu algo macio tocar seu pequeno coração.

Com muito cuidado, ele salvou aquela foto e a definiu como protetor de tela do seu relógio.

Talvez fosse por causa do vídeo, ou talvez por causa do olho coberto, mas ao olhar para Tadeu, que crescia a cada dia, ele via Valentina.

A semelhança era notável.

Aquela delicadeza serena.

Valentina apenas parecia serena; na verdade, era osso duro de roer, o mais duro possível.

Tadeu provavelmente herdara mais de sua suavidade.

Cícero estava prestes a dizer algo mais quando um brilho na tela do relógio de Tadeu chamou sua atenção.

Ele parou.

Piscando em silêncio, perguntou com a voz rouca, disfarçando o interesse:

— O relógio está quebrado?

Tadeu hesitou por um instante e balançou a cabeça.

— Não, só troquei o protetor de tela.

Depois de dizer isso, sem saber por quê, ele instintivamente escondeu a mão para baixo.

Naquela mesma tarde, Tadeu trocou o protetor de tela de volta para o antigo.

Naquela noite, o Velho Senhor entrou sorrateiramente no quarto de Tadeu e, murmurando para si mesmo sobre seu pecado, pegou o relógio do menino.

Ele o ligou e viu as fotos salvas no álbum.

A tela emitia uma luz fraca.

O Velho Senhor ficou em silêncio por um momento e suspirou.

Ele sabia por que Tadeu estava escondendo aquilo.

Mesmo assim, decidiu devolver o relógio ao lugar, intacto, e respondeu a Hugo, que esperava por notícias: [Não encontrei nada de anormal.]

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