Tadeu não conhecia a expressão “morte natural” e achava que todas as mortes eram causadas por doenças.
Valentina baixou ligeiramente os olhos e ficou em silêncio por um momento. — Entendo.
— Eu gostava muito dele. Quando ele estava por perto, sempre lambia a minha mão. — Tadeu, imitando Valentina, mergulhou uma batata frita no molho e provou. — Ele era muito bonzinho, dormia mais de dez horas por dia, sempre encostado na minha perna...
No início, era Valentina quem falava, mas depois, Tadeu finalmente começou a compartilhar suas próprias histórias.
Ele finalmente se tornou um pouco mais falante, e sua voz não era mais tão baixa quanto no começo.
A luz da tarde entrava no restaurante. Valentina observava o menino à sua frente, vendo-o finalmente assumir uma postura mais infantil enquanto narrava e contava suas histórias, e sorriu suavemente.
Antes de ir para a escola, Tadeu recebeu de Valentina algumas roupas.
Um suéter e uma jaqueta de plumas.
— Tadeu, experimente em casa e me diga se o tamanho não servir. — Valentina disse isso com um certo nervosismo. Ela não tinha certeza se Tadeu gostaria dos modelos que escolheu, nem se serviriam bem.
Os olhos de Tadeu, no entanto, brilharam. — Posso experimentar agora?
Valentina sorriu e assentiu.
Tadeu correu para o banheiro do restaurante, experimentou as roupas e, ao sair, parecia um pãozinho branco e fofo.
O suéter preto de gola alta e a jaqueta de plumas macia e fofa.
Cada peça era muito confortável.
E muito quente.
Ele parecia gostar tanto das roupas que se transformou em um pequeno duende animado, até combinando com o cachecol amarelo, com o rosto corado, sorrindo: — Lindo, muito lindo, obrigado, tia.
Ele era tão fácil de agradar.
Os cantos dos lábios de Valentina se curvaram um pouco para baixo, mas ela continuou sorrindo. — Que bom que você gostou, Tadeu. E o tamanho? Alguma coisa não serviu?
— Não, tudo serve perfeitamente, como se eu tivesse ido com você comprar.
Valentina, ainda preocupada, esticou a manga da jaqueta para se certificar de que estava folgada, depois arrumou suas roupas e fechou o zíper.
— Pronto.
Ela, com um pouco de relutância, ajeitou o cabelo dele e finalmente o soltou, dizendo em voz baixa: — Pode ir para a escola, Tadeu. Pense no que mais você gostaria de comer, da próxima vez a tia te leva.
Assim que ela terminou de falar, Tadeu de repente se inclinou e a abraçou, afundando o rosto em seu peito.
O calor inesperado do abraço fez o coração de Valentina desacelerar por um instante. Ela baixou os olhos suavemente, olhando para o menino em seus braços. Quando estava prestes a abraçá-lo de volta, as orelhas dele já estavam vermelhas, e ele a soltou e saiu correndo.
O Velho Senhor colocou o embrulho de volta no bolso dele. — O vovô está velho, a vista não é boa e o olfato também não. O Pequeno Senhor deve ter estudado muito na escola ao meio-dia, por isso não voltou para almoçar, certo?
O Velho Senhor sorriu. — A memória do vovô também não é boa, sempre esqueço o que o Tadeu vestiu de manhã. Esta jaqueta de plumas, acho que o vovô comprou para você há alguns dias, não é?
Os punhos cerrados de Tadeu relaxaram um pouco. Ele ficou em silêncio por um momento. — ...Vovô.
— O vovô está velho, não tenho muitos desejos, só espero que o Pequeno Senhor seja feliz.
O Velho Senhor o ajudou a abrir o zíper da jaqueta. — Vou guardar a roupa para você, passar a ferro, para ficar mais confortável de usar amanhã.
Tadeu olhou para ele e sorriu. — Obrigado, vovô.
Assim que o mordomo tirou a jaqueta dele, sua mão esbarrou acidentalmente na gola do suéter. Estava tão apertada que nem se moveu com o toque.
O mordomo se surpreendeu.
Ele puxou a gola do suéter novo de Tadeu e viu que o tecido apertado havia irritado sua pele, deixando seu pescoço cheio de marcas vermelhas depois de uma tarde inteira.
O mordomo engasgou, sem conseguir falar por um momento. Seus olhos se encheram de névoa. Demorou um pouco para que ele conseguisse sorrir novamente e dizer em voz baixa: — Tire o suéter também, o vovô vai passá-lo para você. Depois de passado, amanhã... ficará mais confortável de usar.
— Sim! — Tadeu sorriu ainda mais feliz. — Obrigado, vovô.

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