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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 217

O Ano Novo se aproximava.

A perna de Valentina já podia começar a treinar lentamente.

Ela queria voltar a andar bem o mais rápido possível, a tempo para o casamento, então se esforçava ao máximo nos treinos no quarto do hospital, apoiando o corpo nas muletas axilares e caminhando com dificuldade pelo quarto.

Levantar-se, endireitar-se, mover-se lentamente.

Depois de alguns passos, sua testa já estava coberta de suor.

Ao ouvir passos se aproximando do lado de fora, Valentina rapidamente levantou a perna direita e pulou de volta para a cadeira de rodas, colocando as muletas ao lado da cama apressadamente, fingindo que nada havia acontecido.

No instante em que a porta se abriu, a muleta, mal apoiada, caiu no chão com um baque.

“...”

Luciano, que acabara de entrar, e Valentina se entreolharam.

Valentina, um pouco sem graça, respirou fundo e olhou pela janela: — O tempo está ótimo hoje.

Luciano se aproximou, pegou a muleta do chão e disse suavemente: — Dra. Valentina, Diretora Valentina, a senhora por acaso explicou a todos os seus pacientes, incluindo a si mesma, que a recuperação pós-operatória não deve ser apressada?

“...”

Valentina continuou sem graça. — Eu só queria tentar ficar de pé. Como saber do que sou capaz se não der o primeiro passo?

Luciano, advogado há anos, só não conseguia vencê-la em uma discussão. Incapaz de refutar sua lógica falha, ele segurou seu rosto com delicadeza, fazendo-a olhar para cima para que pudesse ver sua expressão: — Dói?

— Dói, dói muito.

Valentina disse: — Só vai melhorar se eu comer duas tigelas de mini pastéis no almoço.

Luciano suspirou. Não seria tão fácil enganá-lo. Ele se agachou e massageou a panturrilha dela, aliviando a dor ao redor do membro ferido.

— Sei que você quer melhorar logo, mas, Valentina, já passamos por tanto. Não precisamos ter pressa por alguns dias, está bem?

— Eu quero que você pense primeiro em si mesma, e só depois em nós.

— Eu sei. — Valentina sorriu e assentiu, parecendo um pouco obediente, o que fez com que Luciano não tivesse coragem de repreendê-la mais. Ele apenas esfregou o rosto dela com a palma da mão, impotente.

Luciano tinha acabado de reservar o local do casamento e definir a data.

O Ano Novo seria em seis de fevereiro, e o casamento em vinte e um de fevereiro. Um dia propício para casamentos, bênçãos, viagens e mudanças.

Era um bom dia.

Estava próximo.

Luciano contava os dias, um por um.

Ele baixou o olhar, fixando-o no rosto dela por um longo tempo antes de dizer: — Valentina, preciso te dizer uma coisa.

— Que coincidência. — Valentina ergueu os olhos e o encarou seriamente. — Eu também.

Muito feliz, realmente muito feliz. Depois de saber que o convite dela para comerem juntos com frequência não era apenas uma promessa vazia, Tadeu se sentiu feliz todos os dias. Ele deixou várias páginas em branco em seu caderno de desenho, querendo desenhar muitas e muitas refeições.

Hoje, Valentina o levou para comer hambúrguer.

Valentina disse: — Quando eu era pequena, minha família era muito rigorosa comigo. Então, toda vez que eu queria comer hambúrguer escondido, tinha que sair de casa pela porta lateral, pedir um combo de hambúrguer e, ao tomar um gole de refrigerante, já me sentia a pessoa mais feliz do mundo.

Tadeu dava grandes mordidas no hambúrguer, o sabor rico enchendo sua boca, enquanto ouvia as histórias da infância dela.

Ele parecia saber de quem ela estava falando quando mencionava “família”.

Porque sua avó sempre falava dela com saudade.

A avó achava que ele era pequeno e não entendia nada, por isso nunca se continha ao falar. Mas, na verdade, Tadeu entendia e se lembrava de muitas coisas.

Pelas descrições da avó, ele tinha ouvido falar de muitos tipos de mãe.

Ou melhor, de muitas facetas de sua mãe.

Brincalhona, travessa, mimada, desobediente, todos os tipos de mãe.

Valentina compartilhou muitas coisas em voz baixa com ele e, no final, também falou sobre um cachorro que ela teve. Tadeu sabia quem era o cachorro, mas não ousou demonstrar muito. Ele disse em voz baixa: — Eu também tinha um cachorro em casa.

Valentina fez uma pausa. — É mesmo?

— Sim. — Tadeu assentiu. — Mas ele estava muito velho e ficou doente e morreu há alguns anos.

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