Renato desligou a luz principal do quarto, deixando apenas o abajur do criado-mudo aceso. Ele se sentou à beira da cama.
A suave luz amarelada iluminava o rosto de Elisa, cujos longos cílios projetavam uma sombra delicada sob seus olhos, parecendo uma boneca de porcelana.
Renato a observava, seu olhar cada vez mais profundo.
De repente, Elisa pareceu desconfortável, mexeu-se um pouco, ainda de olhos fechados, e estendeu a mão à frente.
Ao buscar, seus dedos tocaram algo quente, e ela se aconchegou.
Seu corpo se curvou, o rosto repousando contra Renato, como um gato preguiçoso.
Renato teve sua mão agarrada por ela, seus dedos lentamente entrelaçando-se com os dele, num gesto repleto de intimidade.
Ele abaixou a cabeça, o olhar sereno, mas com uma faísca de contenção oculta.
Renato franziu ligeiramente as sobrancelhas.
Alguns momentos depois, Renato levantou Elisa nos braços, apoiando sua cabeça com uma das mãos, e a colocou na cama.
"Não vá."
Elisa murmurou, puxando Renato com força suficiente para derrubá-lo.
Ele rapidamente apoiou as mãos de cada lado do corpo dela, evitando pressioná-la.
A distância entre eles era tão curta que bastaria uma leve inclinação para se beijarem.
Suas respirações se entrelaçavam.
O aroma suave da pele dela misturado ao cheiro de álcool fez Renato franzir o cenho.
Parecia que ele também estava prestes a se perder.
"Hum."
Elisa emitiu um som suave, abrindo ligeiramente os olhos e vendo o rosto bonito de Renato, o que a fez sorrir: "Sr. Faria, você é mesmo bem charmoso."
Surpreendentemente, quanto mais interagia com Renato, mais ele povoava seus sonhos quando estava bêbada.


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