Elisa ficou um pouco surpresa.
Mas, ao pensar na ferida mais grave que tinha no couro cabeludo, bem na parte de trás da cabeça, realmente seria difícil aplicar o remédio sozinha. Então, ela entrou.
Ela pegou uma almofada e se sentou na frente de Renato.
Elisa elogiou sinceramente: "Sr. Faria, você é realmente uma boa pessoa."
Ao ouvir isso, Renato deu uma risadinha: "Isso é uma carta de bom moço?"
"Não, eu realmente acho que você é uma pessoa muito boa."
Elisa corrigiu Renato.
Em toda a sua vida, ela não encontrou muitas pessoas boas.
Ela pensava que tinha azar, mas depois de se separar de Vicente, parecia que só havia pessoas boas ao seu redor.
Vicente dizia que iria protegê-la das tempestades, mas, no fim, ele mesmo era a fonte delas.
Elisa forçou um sorriso.
"Ahh—"
A sensação gelada do remédio na ferida fez Elisa soltar um suspiro de dor.
Renato franziu as sobrancelhas, e seus movimentos ficaram ainda mais cuidadosos e gentis.
Ela não sentia mais dor, mas a sala de estar ficou silenciosa, criando um clima estranho.
Ela ligou a TV, assistiu a um programa de variedades que gostava e começou a rir.
Renato fez um som de desaprovação, segurando a cabeça dela: "Se mexer de novo, cuidado para o cotonete não machucar o ferimento."
Elisa parou de se mexer, mas continuou rindo baixinho.
Não se sabe quanto tempo passou até que a voz de Renato soasse novamente: "Você ainda gosta do Vicente?"
"Não gosto, não."
A atenção de Elisa ainda estava no programa, e ela respondeu automaticamente, com um tom divertido.
Mas rapidamente, ela se deu conta e seu sorriso se desfez.
Ela disse: "Mas, desistir de gostar de alguém não é fácil, preciso de tempo."
Este projeto realmente estava indo por água abaixo.
No dia seguinte, Elisa viu que o inchaço em seu rosto tinha diminuído um pouco, comprou um celular novo, refez o chip e foi para a empresa.
Assim que entrou, viu os olhares brilhantes de seus colegas.
Todos estavam esperando boas notícias dela.
Ao lado, Clara se aproximou sorrindo e disse: "Elisa, como veio para a empresa hoje, é porque fechou o projeto? Eu sabia que você conseguiria."
Os elogios dela quase fizeram os outros colegas aplaudirem.
"Elisa é realmente incrível."
"A empresa não sobreviviria sem a Elisa!"
Os colegas tagarelavam, não dando chance para Elisa falar.
De repente, a voz de Clara ficou mais alta, e seu olhar se moveu da porta de volta para Elisa: "Elisa é realmente incrível, conseguiu conquistar o Marcelo, parece que, em alguns aspectos, eu realmente não posso competir com a Elisa."
Essas palavras não soaram como elogios, mas sim como uma provocação.

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