Depois de ser lançado longe por um chute, Marcelo estava prestes a soltar um xingamento quando, ao focar melhor, percebeu que era Renato.
Seus lábios começaram a tremer.
"Se... Sr. Faria..."
Em toda a Cidade Aurora, Marcelo só tinha medo de Renato.
Um ano atrás, com a cabeça ainda em recuperação de uma lesão, Renato apareceu e deu uma surra nele.
Depois disso, Renato ainda tomou dois grandes projetos do Grupo Lopes.
"Marcelo, Cidade Aurora não tem lugar para você." Renato olhou para o homem ajoelhado à sua frente, com um olhar severo. "Vai sair por conta própria ou quer que eu mande alguém quebrar suas pernas antes?"
"Eu... eu não sou... não sou como o senhor pensa, Sr. Faria, eu posso explicar."
Marcelo percebeu que Renato estava protegendo Elisa com firmeza.
As duas vezes que cruzou o caminho de Renato, parecia que Elisa era o motivo.
Será que...
Marcelo ficou com uma expressão como se tivesse engolido veneno, seu rosto estava péssimo.
Renato, abraçando Elisa, percebeu que ela ainda estava assustada, e falou com uma voz fria: "As provas de seus crimes já foram entregues à polícia. Vou cuidar pessoalmente disso."
O Grupo Lopes sempre acobertava as sujeiras de Marcelo, mas dessa vez, com Renato no encalço, Marcelo não teria mais sorte.
Renato deixou o camarote segurando Elisa, ignorando os gritos de Marcelo.
Ao sair do Clube das Águas, Renato colocou Elisa no carro.
Ele olhou para o rosto machucado dela e para o cabelo desgrenhado, e seus olhos mostraram um toque de raiva.
Mas Renato não disse nada, apenas entrou no carro em silêncio, levando Elisa para o hospital.
Elisa, aos poucos, saiu do estado de pavor e, ao olhar para o hospital, esboçou um sorriso meio amargo.
Era a terceira vez que Renato a acompanhava ao hospital.
Elisa parou em frente à porta do seu apartamento e disse: "Sr. Faria, meu celular quebrou. Amanhã vou comprar um novo e transferir o dinheiro de hoje para você."
"Você acha que eu estou precisando de uns cem reais?"
A voz de Renato era fria.
Elisa sentiu um certo alívio ao ouvir Renato finalmente falar.
O silêncio dele estava deixando-a inquieta.
Ela disse: "Então, obrigada, Sr. Faria. Se precisar de mim para algo, estou à disposição!"
Renato lançou um olhar indiferente para ela: "Abre a porta."
Instintivamente, Elisa abriu a porta do seu apartamento.
Renato entrou naturalmente, trocando os sapatos como se estivesse em sua própria casa.
Ele olhou novamente para Elisa, que estava parada, e a incentivou: "Entra, vou passar a pomada em você."

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