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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1142

Henrique encerrou a ligação, deixou o celular sobre o criado-mudo e apagou a luz.

O quarto mergulhou na escuridão.

Toda a tensão que havia explodido pouco antes pareceu desaparecer junto com a luz, engolida pelo silêncio.

Henrique se deitou de costas e fechou os olhos. Não demorou muito para sua respiração ficar lenta e regular.

Tatiane, porém, continuava ouvindo a voz de Bia na cabeça.

Por mais que tentasse, não conseguia se acalmar.

Na manhã seguinte, a primeira coisa que percebeu ao despertar foi o calor excessivo ao redor do corpo. A segunda foi o peso sobre ela.

Ainda sonolenta, abriu os olhos e se deparou com o rosto tranquilo de Henrique a poucos centímetros do seu.

Ficou imóvel.

Só então se deu conta da posição em que estavam.

Henrique a mantinha presa nos braços, com uma das pernas sobre as dela, como se durante a noite tivesse puxado Tatiane para junto do próprio corpo e simplesmente não a tivesse soltado.

Ela tentou se desvencilhar, mas o abraço estava firme demais.

E ele não parecia disposto a acordar tão cedo.

Sem nenhuma paciência, Tatiane estendeu a mão e deu um beliscão forte na coxa dele.

Henrique franziu a testa ainda dormindo. Alguns segundos depois, abriu os olhos devagar.

— Me solta.

Ele piscou, ainda tomado pelo sono, como se nem tivesse entendido direito o que ela dizia.

— Eu preciso ir ao banheiro. — Insistiu Tatiane.

Henrique baixou os olhos para a mulher presa em seus braços e, sem dizer nada, virou-se preguiçosamente para o outro lado.

A pressão sobre o corpo dela enfim desapareceu.

Tatiane escapou depressa para a beirada da cama, afastou o cobertor e se levantou.

Quando saiu do banheiro, já arrumada, encontrou Henrique acordado, recostado contra a cabeceira.

Ele estava largado na cama, com os cabelos curtos ainda bagunçados. Talvez por ter acabado de despertar, não havia em seu rosto a mesma dureza ameaçadora da noite anterior.

Tatiane parou por um instante.

Henrique também olhou para ela.

Os dois permaneceram em silêncio.

Sob aquele olhar persistente, o desconforto começou a crescer dentro dela. Por fim, Tatiane resolveu falar.

— Acho que a gente precisa conversar.

— E como você quer conversar?

Pela postura de Henrique e pelo jeito como ele a observava, Tatiane teve a impressão de estar prestes a passar por um interrogatório.

Quando recobrou a consciência, não se lembrava de nada. Mais tarde, ao descobrir a gravidez, chegou até a pensar, assim que viu Leandro pela primeira vez, que o bebê pudesse ser dele.

Mas Leandro deixara claro que não era.

Ao ouvir a pergunta, o rosto de Henrique se fechou.

Ele não respondeu.

Apenas afastou o cobertor, saiu da cama e veio direto na direção dela.

Tatiane ficou tensa no mesmo instante.

A lembrança da noite anterior fez seu peito apertar.

— Fica aí. Não chega mais perto.

Henrique não diminuiu o passo.

Só parou quando já estava bem diante dela.

Então ergueu as mãos, segurou a cabeça de Tatiane e começou a apalpar o topo e a parte de trás, virando-a de um lado para o outro como se procurasse algum machucado.

Tatiane ficou atordoada com aquilo.

Irritada, afastou as mãos dele com um tapa e o encarou.

— O que você está fazendo?!

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