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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1141

Vê-la daquele jeito, ainda com aquela expressão de quem não tinha feito nada de errado, acabou de vez com a paciência de Henrique.

— Você ainda acha que está certa, é isso?!

Tatiane apertou os dedos, mas não respondeu.

Henrique pegou o antisséptico e borrifou sobre o ferimento. A ardência a fez cerrar os dentes.

— Por que não me ligou quando saiu de Monte Claro?

Silêncio.

Sem parar de cuidar do machucado, Henrique ergueu os olhos para ela.

— E por que escondeu de mim que estava grávida?

Tatiane continuou calada.

— Você fugiu de mim, veio parar tão longe com o Leandro... Por que não foi logo para o fim do mundo?

A irritação pesava cada vez mais em sua voz.

— Você gosta tanto assim dele?

As mãos de Tatiane se fecharam ainda mais.

— Tatiane, você não tem coração, não?!

Henrique despejava uma pergunta atrás da outra enquanto terminava de tratar o ferimento.

Tatiane respirava cada vez mais fundo. O peito subia e descia depressa, comprimido por uma angústia que mal a deixava respirar.

— Não vai dizer nada?

Henrique terminou o curativo.

Tatiane se levantou e foi em direção à porta.

Ele segurou seu braço antes que ela conseguisse sair.

— Aonde você pensa que vai agora?

Com os olhos avermelhados, Tatiane virou-se para ele.

— Eu vou dormir.

— Vai dormir aqui! — Ordenou Henrique, sem deixar espaço para discussão.

Ela o encarou.

— Eu durmo onde eu quiser. Por que teria que obedecer a você?

— Tenta passar por essa porta hoje e vê o que acontece.

Tatiane mordeu o lábio e puxou o braço com força, soltando-se dele.

Henrique endureceu a expressão.

— Tatiane, chega! Até quando você vai continuar com isso?

Ela parou.

Por alguns segundos, ficou olhando para o homem diante dela. Por trás da irritação, havia um cansaço profundo, quase uma sensação de impotência.

Do outro lado da linha, a voz sonolenta de Bia veio acompanhada de um bocejo.

— Papai...

Em Nova Aurora, já eram seis e meia da manhã do dia seguinte.

Ao ouvir aquela vozinha, o peito de Tatiane apertou.

O tom de Henrique mudou na mesma hora.

— Já acordou tão cedo?

Tatiane ouviu a voz dele e quase parecia estar escutando outra pessoa. A suavidade com que falava com a filha não tinha nada a ver com a dureza que usara com ela minutos antes.

Bia respondeu, ainda cheia de sono:

— Acordei e não consegui mais dormir. Papai, quando você vai trazer a mamãe de volta?

Já fazia muito tempo que a menina não via a mãe.

A ligação estava no viva-voz. Tatiane ouviu cada palavra.

Henrique virou o rosto e lançou um olhar para a mulher imóvel ao seu lado.

— Daqui a dois dias a gente volta.

— Tá bom! Mas tem que ser rápido, viu?

— Uhum. Papai sabe. Hoje você não tem aula, então dorme mais um pouquinho.

— Tá bom.

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