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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1146

— Você tem um irmão gêmeo?

Henrique estreitou os olhos para ela.

— Um de mim já não basta? Agora você quer dois?

Tatiane teve certeza. Era ele mesmo.

— Acho que você devia passar por uma avaliação neurológica.

Falou com tanta calma e seriedade que parecia estar fazendo uma recomendação perfeitamente sincera.

Henrique soltou o ar com força.

— Está me chamando de maluco?

— Só estou dando uma sugestão sincera.

— Então pare de sugerir.

Tatiane lançou-lhe um olhar, virou o rosto e não disse mais nada.

— Se um dia eu tiver um infarto, a culpa vai ser toda sua.

Ela tornou a encará-lo.

Henrique se levantou, pegou algumas roupas dela no guarda-roupa e as deixou sobre a cama.

— Troque de roupa.

Tatiane olhou para as peças.

— Então saia primeiro.

— Tem alguma parte sua que eu ainda não tenha visto?

— Mesmo assim, saia.

Por mais que soubesse, racionalmente, que não havia motivo para tamanho constrangimento, seu corpo ainda reagia por instinto. Ela simplesmente não conseguia se acostumar com aquilo.

Henrique a encarou por alguns segundos, claramente contrariado, mas acabou se virando e saindo do quarto.

Depois de se trocar, Tatiane foi ao banheiro se lavar e terminar de se arrumar.

Quando ficou pronta, os dois desceram para comer alguma coisa e depois saíram para caminhar pelas redondezas.

O dia estava agradável. O sol brilhava forte, embora a temperatura continuasse baixa.

Tatiane estava muito mais agasalhada do que a maioria das pessoas que passavam por ali. Usava até luvas.

Henrique segurava sua mão enquanto caminhavam.

Seguiram lado a lado pela rua de pedras, sem trocar uma palavra.

Depois de algum tempo, Tatiane começou a se cansar.

— Quero descansar um pouco.

Henrique a conduziu até um banco próximo. Assim que se sentaram, perguntou:

— Está com frio?

Tatiane balançou a cabeça.

— Não.

— Fiz mesmo.

Tatiane ficou sem palavras.

Ele ainda acrescentou, como se estivesse falando da coisa mais óbvia do mundo:

— Você já teve um. Depois disso, que diferença faz ter dois ou três?

— Você não respeitou a minha vontade.

Henrique continuou segurando a mão dela, mas seu olhar desceu para a barriga ainda discreta.

— Agora você já está grávida. Cuide-se, tenha o bebê e pare de ficar com raiva.

Tatiane quase riu de tanta incredulidade.

"E quem foi que me deixou com raiva, afinal?"

— Tem sentido algum desconforto ultimamente? — Perguntou ele logo depois, desta vez com uma preocupação que parecia genuína.

A mudança era tão brusca que Tatiane voltou a considerar seriamente a possibilidade de Henrique ter algum tipo de dupla personalidade.

Ela desviou os olhos para a vasta paisagem de rochas vulcânicas ao longe e não respondeu.

Henrique a observou por alguns instantes, mas não insistiu. Apenas manteve o braço ao redor dela.

Quando ele ficava quieto, Tatiane finalmente conseguia ter um pouco de paz.

Os dois permaneceram ali até o sol começar a descer no horizonte.

Por coincidência, aquele era um dos melhores lugares para assistir ao pôr do sol.

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