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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 65

Os dedos dela voavam como borrões, e ela ainda conseguia dividir sua atenção:

— Olhem para esta linha de dados. Façam exatamente assim. Juntem todos os caminhos e cruzem por aqui...

A voz da garota era fria, calma, com cada sílaba claramente pronunciada.

Acompanhando suas palavras e a velocidade das suas mãos, logo ela anunciou:

— Pronto. Alvo travado.

A equipe de rastreio viu o marcador virtual do invasor pulando por vários nós da rede de dados nacional, até congelar de vez em um endereço de IP específico.

— Equipe de rastreio, sigam por ali.

As mãos de Cecília moviam-se com a fluidez de uma pianista virtuosa, criando um rastro quase invisível nas teclas.

Enquanto o rastreio era feito, a equipe de suporte de Sebastião Guimarães rapidamente se mobilizou e cercou o local físico do endereço IP.

— Equipe de reparo, façam a restauração gradualmente, seguindo os códigos-fonte que eu marquei. — Cecília não parou de delegar as ordens.

Seus comandos eram limpos. Perfeitos. Fáceis de executar.

E a cada operação crítica, ela separava um milissegundo para explicar com a máxima paciência o percurso do que estava fazendo, para que todos aprendessem.

Enquanto isso, suas mãos só aceleravam.

Movimentos fluidos. Instruções infalíveis. Em segundos, ela estabilizou todos os caminhos algorítmicos e blindou os dados do núcleo.

— Ótimo. Agora... vamos ver o que tem no fundo do poço desse IP. — Cecília abriu outra janela. Cascatas de códigos rolaram para formar um triângulo invertido.

Àquela altura, os pesquisadores da sala, antes tão orgulhosos e céticos, só conseguiam sentir um misto de puro choque e reverência.

A perfeição no caminho analítico e a velocidade absurda de engenharia reversa...

Simplesmente extrapolava os limites do cérebro humano!

E o mais assustador: ela operava tudo, ditava as ordens, e ainda parava para dar aula no meio do caos!

Depois daquela explicação, todos os problemas que pareciam nós impossíveis de desatar viraram equações primárias na cabeça deles.

-

Enquanto isso.

Numa sala engolida pela escuridão, iluminada apenas pelo brilho oscilante de incontáveis monitores.

Um homem de traços asiáticos e cabelos escuros, que claramente não era nativo da União de Serena do Sul, explodiu em xingamentos:

Ele destruía dois, multiplicava para quatro.

Em questão de segundos, uma enxurrada densa de códigos engoliu completamente o seu programa.

Eles estavam brincando com ele!

Era óbvio que tinham percebido que o colapso da noite anterior não passava de um ardil.

Aqueles desgraçados tinham entendido tudo. Estavam jogando com ele do mesmo jeito. Valdourado perdeu a cabeça e gritou suas ordens:

— Vão! Mandem aquele inútil agir de uma vez! Temos que conseguir os dados centrais do Atlas agora mesmo!

Porém, ninguém disse uma palavra. O silêncio reinava, quebrado apenas pelo clique frenético dos teclados e pelo suor escorrendo dos rostos tensos.

Eles... estavam gastando todas as forças só para manter a armadilha de pé, quanto mais aproveitar a distração para roubar os dados por uma brecha secreta.

Zzzzt!

De repente, todas as telas da sala piscaram bruscamente.

E então, apagaram. Escuridão total.

O rosto de Valdourado desfigurou de pavor. A boca abria e fechava soltando palavrões sem parar.

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