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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 64

Cecília não lhe dedicou um único olhar. Seu rosto continuava sereno.

— O colapso de ontem à noite foi uma armadilha deixada propositalmente pelo invasor. O único objetivo era criar caos e acobertar a verdadeira rota de roubo dos dados.

Enquanto falava, seus dedos não paravam um segundo.

— O verdadeiro alvo deles é roubar o núcleo principal do algoritmo do modelo Atlas.

Na sala de controle, o som de várias pessoas prendendo a respiração ecoou.

O Professor Santos franziu a testa, aterrorizado.

— O núcleo do algoritmo é o coração do Atlas! Ele está ligado à defesa nacional de vários países, ao núcleo de energia aeroespacial... Se for roubado, as consequências serão catastróficas!

Cecília murmurou em concordância. Seus lábios vermelhos se ergueram num sorriso desdenhoso.

— É perigoso, de fato. O inimigo é astuto. Assim que detectarmos o programa de colapso, ele ativará uma autodestruição, devorando o fluxo de dados ao redor para apagar os próprios rastros.

O rosto do Professor Santos perdeu a cor na hora.

— Então... O Atlas...

Se ele se autodestruísse.

O Atlas também sofreria danos imensuráveis!

— O quê?! Se você sabia que o programa ia se autodestruir, por que invadiu o sistema?! Não podia deixar o trabalho para os profissionais?! — O homem gordo finalmente achou uma brecha para atacar Cecília. — Eu sabia que você não entendia nada! Isso é loucura!

— Você se diz profissional, mas sequer notou que era uma armadilha. — Cecília bateu forte no teclado, produzindo um som seco e estalado.

Sendo xingado na cara dura por uma garotinha na frente de todos os colegas, o rosto de Pietro ficou ainda mais sombrio.

— E daí que você descobriu a armadilha? Um programa desses é impossível de quebrar! Você provavelmente vai causar a destruição do Atlas!

— Só porque você não consegue, não significa que eu não consiga. — Cecília levantou levemente o olhar, frio e implacável. — Se não pode ajudar, dê o fora. Não me faça perder tempo.

— Você! — O gordo trincou os dentes e riu, tomado pela fúria. — Perfeito! Quero só ver até onde vai toda essa sua arrogância! Não vou participar dessa sua loucura. Qualquer acidente que aconteça com o Atlas será responsabilidade de vocês!

Dizendo isso, ele desabotoou o jaleco branco, jogou-o no chão com força, passou o cartão na catraca e saiu da sala de controle.

— A mosca irritante já foi. Tudo continua como antes. — A expressão de Cecília não sofreu a menor alteração. Ela voltou a encarar a tela.

Alguns ali ainda não sabiam que a correção de emergência feita na noite anterior era obra de Cecília. Só achavam que aquela garota era jovem demais. Jovem a ponto de...

Ser quase impossível botar fé no profissionalismo dela.

No entanto, lembrando do aviso do Professor Santos, um deles apenas arriscou perguntar:

— Como vamos rastreá-los?

Eles, os profissionais de elite, estavam suando há catorze horas seguidas e não haviam chegado nem perto de localizar o inimigo.

Cecília não parou de digitar. Diante daquela dúvida compreensível, ela explicou pacientemente:

— Enquanto usarem a rede, sempre haverá um rastro. Podemos segui-los usando os fragmentos da rota que eles deixaram para trás.

— Mas não é tão fácil assim. Eles com certeza vão apagar o rastro... — Afinal, o inimigo não era burro.

Cecília foi cirúrgica:

— É fácil.

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